Ricardo Mezavila: Redução é a solução!

Os mandatários brasileiros estão submetendo a juventude ao abandono, à ilegalidade e à punição

Por O Dia

Rio - Muitos dos parlamentares que votaram a favor da redução da maioridade penal têm problemas com a Justiça. Respondem a processos no STF por fraudes em licitações, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, crime ambiental e contra a honra, compra de votos, apropriação indébita previdenciária e outras tantas formas de surrupiar dinheiro e levar vantagem do cargo que exercem. Todos menores de 18 anos.

Na casa da Justiça encontramos excelências que praticaram delitos como quebra não autorizada de sigilo bancário, apropriação de bens apreendidos, uso indevido de informações privilegiadas, afastamento por recebimento de propina, litigância e má-fé e, data vênia, todos menores de 18 anos.

No Executivo a farra é grande. Temos desvio de bens e renda pública, realização de obras sem licitação, antecipação e inversão de ordem de pagamento, nomeação, irresponsabilidade fiscal, improbidade administrativa, alienação de imóveis públicos, peculato. Todos, sem exceção, menores de 18 anos.

Algumas personalidades que estão na história do nosso país, ficaram famosas pelo golpe militar, pela dissolução do Congresso, pela perseguição e tortura, pela assinatura de atos inconstitucionais, pela promoção do terror, traição, censura, cassação de direitos políticos, fim do regime democrático de direito, violação dos direitos humanos. Todos menores de 18 anos.

A sociologia estuda teorias sobre conflitos sociais; na teoria social baseada no materialismo de Karl Marx, existem duas classes: a dominante e a dominada. A primeira detém a propriedade e o controle do meio de produção, incluindo os trabalhadores — os dominados — e, em função disso, vai continuar dominando para estabelecer a divisão. A força desproporcional de uma classe submete a outra a viver com o mínimo necessário.

Os mandatários brasileiros estão fazendo isso com a juventude, submetendo-a ao abandono e, consequentemente, à ilegalidade e à punição, para que se perpetuem como uma elite excludente, ultrapassando o limite do cinismo, e ainda conseguem apoio de alguns muitos dominados que repicam a voz dos dominantes sem saber, ou por moda, ignorância ou por desistência.

Ricardo Mezavila é presidente da Casa do Menor Trabalhador

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