Dionísio Lins: A raposa que toma conta do galinheiro do DPVAT

O que mais chamou a atenção foi o fato de o valor da indenização continuar o mesmo desde 2007

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Mais um vez as dúvidas sobre a administração do DPVAT viram assunto dos jornais. Desta vez, diz respeito ao reajuste no valor do seguro cobrado, que foi de 19% para os automóveis e 56% para as motocicletas. Até aí, tudo bem; apesar de ser considerado um absurdo. Porém, o que mais chamou a atenção e pode ser considerado um enorme desrespeito com todos nós, cidadãos obrigados anualmente a pagar essa taxa, foi o fato de o valor da indenização continuar o mesmo desde 2007. Mas o pior de tudo, acredito eu, é que somente uma seguradora, a Líder, é a responsável em administrar os bilhões de reais arrecadados todo o ano.

Somente em 2013 a Líder abocanhou R$ 8 bilhões com o seguro; mas a indenização para os familiares das vítimas de trânsito continua a mesma, R$ 13.500. E nessa questão paira grande dúvida: será que somente a Líder tem capacidade para administrar esse serviço? Onde estão as campanhas sobre educação no trânsito, que só são vistas durante o Carnaval e nas festividades de Ano Novo? Sinceramente, não dá para entender!

Mas o pior ainda está por vir: quando os parentes de vítimas de trânsito precisam requerer a indenização, são obrigados a passar por um calvário. Precisam juntar mais de dez documentos para comprovar que a pessoa faleceu. Depois, é preciso driblar os possíveis erros assinalados pelo perito da seguradora nos boletins de ocorrência. Vejo que seria muito mais sensato e lógico que nessa hora, quando se perde um ente querido, o direito do recebimento da indenização fosse feito de forma simples e fácil.

Acredito que está faltando um pouco (ou muito) de sensibilidade por parte dessas pessoas que acham que somos idiotas ou ignorantes; pois reajustam taxas e seguros como bem entendem e, em contrapartida, não oferecem o mínimo de atenção e respeito em um momento delicado que todos poderemos passar um dia. Além disso, as dúvidas em relação de como são utilizados esses bilhões arrecadados apenas por uma seguradora e se existe algum controle pelo poder público são fantasmas que nos assombram. É como colocar a raposa para tomar conta do galinheiro.

Dionísio Lins é vice-pres. da Comissão de Transportes da Alerj

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