Editorial: Guerras entre o discurso e a prática

Não se pode varrer governos tidos como déspotas e deixar a população à míngua

Por thiago.antunes

Rio - Há um ano, Barack Obama causara comoção mundial ao anunciar uma gradativa retirada de suas tropas no Afeganistão, ocupado desde 2001 na declarada ‘guerra ao terror’. Esta semana, contrariando a própria promessa, o presidente norte-americano capitulou: muito provavelmente a ocupação avançará por 2017, inclusive depois de Obama ter deixado a Casa Branca.

Evidentemente, não se trata de largar o Afeganistão à própria sorte. A decisão de Obama se baseia em dois desafios: o Talibã, que dera origem à investida, continua a dar trabalho; e o Estado Islâmico, que está dizimando Síria e Iraque, é a prova do que pode acontecer em países desestabilizados.

É nesse escopo que a ONU precisa trabalhar: não se pode varrer governos tidos como déspotas e deixar a população à míngua, e nada garante que o Afeganistão volte a ser enclave de radicais e terroristas. Bem faria a ONU mirar-se na Tunísia, para onde foi o Nobel da Paz, que soube se manter democrática depois de uma revolução.

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