Aristóteles Drummond: Esqueletos que degradam o Rio

Uma cidade com a visibilidade do Rio não pode ter empreendimentos de porte perdidos nos corredores da burocracia ou do Judiciário

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Uma cidade com a visibilidade do Rio não pode ter empreendimentos de porte perdidos nos corredores da burocracia ou do Judiciário. Exige soluções ágeis e transparentes. A região fronteiriça ao Parque do Flamengo tem dois esqueletos emblemáticos, herança das desventuras de Eike Batista. São eles: o Hotel Glória e o prédio da antiga sede do Flamengo, na Avenida Ruy Barbosa. Ambos preciosos para a hotelaria, o turismo e a paisagem urbana. O tempo passa, a crise se agrava, e os imóveis permanecem degradados, numa imagem constrangedora.

A anunciada operação de ‘retrofit’ do histórico Edifício A Noite, na nova e admirável Praça Mauá, sumiu do noticiário, e sem este projeto a bela remodelação do local fica comprometida.  Duas instituições centenárias, de referência na ação social e na prestação de serviços médicos, vegetam ante a impotência do poder público e da falta de mobilização da sociedade: a Santa Casa da Misericórdia e a Real Beneficência Portuguesa. São centenas de leitos abandonados, recuperáveis com pouco investimento e muita vontade política e coragem para acabar com feudos.

Nos acessos rodoviários à cidade, há duas obras importantes paradas, a nova subida da serra de Petrópolis e a nova descida da Serra das Araras, na Via Dutra, esta dependendo da morosidade da aprovação ambiental. O Aeroporto Santos Dumont, com poucos portões ligados ao saguão, expõe usuários aos humores do tempo, assim como não oferece oferta de vagas de estacionamento compatível com seu movimento. Calçadas entregues a táxis irregulares e pedintes. Uma vergonha!

A prefeitura e o governo do Estado pouco podem fazer em muitos dos casos, que precisariam da compreensão do Judiciário e da União. ONGs, geralmente de inspiração ideológica, se ocupam de questões que conflitam com o pensamento da população. Encaram o drama da segurança, verdadeira guerra civil, mais preocupadas com a taxa da letalidade entre bandidos do que entre policiais e pacatos cidadãos.

Está certo que vivemos uma crise e, mesmo assim, muita coisa de positivo está acontecendo. Mas nem por isso se deve relegar a segundo plano aquelas visíveis, que pedem, pelo menos, uma explicação.E independem de recursos públicos. Só mesmo muito amor para não desanimar!

Aristóteles Drummond é Jornalista

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