A frase de um painel eletrônico público chama a atenção: “Rio, cidade do esporte”. Será? Temos uma bela Olimpíada, apesar dos problemas. Na festa, a alegria brasileira predomina, o patriotismo aflora, e a simpatia e hospitalidade dos brasileiros tomam conta do cenário, dando leveza e colorido sedutor aos Jogos.
Nossos atletas, os grandes protagonistas, vestem a camisa, representam o Brasil, fazem o hino ecoar nos pódios e resgatam o orgulho de sermos brasileiros. Para estar ali tiveram que percorrer um circuito heroico, já que as estruturas esportivas, as condições de treino para o esporte de alto rendimento e os investimentos são precários em nosso país.
Tão heróis quanto nossos atletas são nossos pequenos estudantes, que clamam por condições de ensino melhores.
Enquanto a cidade se preparava com todo brilho e suntuosidade, dignos de uma Olimpíada, 60% das escolas públicas do Rio não tinham quadra polivalente para a prática esportiva, conforme levantamento do Movimento Todos pela Educação. Reflexo de um país contraditório!
Queremos virar esse jogo. A Fundação Gol de Letra faz a sua parte há 18 anos e com sucesso, transformando indivíduos por meio da formação do cidadão e desenvolvendo o esporte educacional. As atividades se baseiam em valores, como coeducação, emancipação, participação e cooperação. O esporte educacional tem poder agregador, de inclusão social, de unir de maneira lúdica e espontânea as pessoas, independentemente de gênero, raça ou habilidade. É o caminho.
Vamos torcer para que o brilho olímpico perdure por um longo tempo e consiga contagiar de maneira mais eficaz nossas estruturas públicas esportivas, com mais estímulo, investimento, credibilidade e participação generalizada da população. Vamos torcer para que nossos atletas façam ecoar repetidamente nosso hino nos pódios. Vamos torcer para que nossas escolas públicas ganhem espaços esportivos tão brilhantes quanto nossas arenas olímpicas, e que dê aos ‘nossos pequenos heróis’ a oportunidade de desfrutar dessa ferramenta pedagógica tão eficaz que é o esporte. Talvez, assim, o Rio consiga ser realmente a cidade do esporte.
Beatriz Pantaleão é diretora executiva da Fundação Gol de Letra