Dia de Folia de Reis na Formiga

'Brilhante Estrela do Oriente encerra festa dos Reis Magos hoje pelas ruas da favela da Tijuca

Por thiago.antunes

Rio - Setenta anos de História em um dia. Nesta terça é a última chance para se assistir à Brilhante Estrela do Oriente, principal grupo de Folia de Reis do Morro da Formiga que arrasta milhares em seu desfile pelas ruas e casas da favela da Tijuca. O evento, que disputa palmo a palmo com a Escola de Samba Império da Tijuca o título de xodó do morro, começa às 20h.

“Vem muita gente do asfalto”, conta André Leonardo, do coletivo TransFormiga — grupo criado por jovens moradores para valorizar a produção cultural local. “Domingo tinha umas 1.500 pessoas aqui.” A tradição de andar pela comunidade começou no século passado, segundo André, e contou com quatro grupos no seu auge, nos anos 1970. Hoje restaram dois — a Brilhante Estrela do Amanhã, formado pela nova geração que usa as cores rosa e branco, é a outra agremiação que se sustenta na marra. “A gente faz tudo por amor. Não tem patrocínio de ninguém, nem apoio. A maioria paga pelos instrumentos e até mesmo para fazer seu uniforme”, conta.

Integrante da Brilhante Estrela faz malabarismo com tambor durante último desfile na favela%2C domingoCarlos Lucio / DIVULGAÇÃO

Apesar do ápice à noite, os trabalhos hoje começam cedo. Com origem católica — festeja a ida dos Reis Magos a Jesus —, a Folia passará pela Igreja de São Sebastião, na Tijuca, para após subir o Turano. Enquanto isso, os moradores da Formiga ficarão na favela aguardando seu retorno, que deve acontecer no início da noite.

Os 40 membros da Brilhante, que usa as cores azul e branco, entram nas casas dos que se ofereceram para recebê-los. Em troca, eles escutam versos de improviso dos palhaços, que usam fantasias assustadoras e ditam o ritmo com seus bastões e requebrados. “Quem conhece a favela sabe que a Folia é a nossa maior expressão cultural”, conclui André.

A ‘Dupla Dínamo’ em açãoCarlos Lucio / DIVULGAÇÃO

Cerro Corá ganha galeria de arte urbana

Na Zona Sul, a festa será nos muros de 25 casas e estabelecimentos comerciais da favela do Cerro Corá, no Cosme Velho. Nesta terça, o movimento ‘Rio, Eu Amo, Eu Cuido’ inaugura uma galeria de arte a céu aberto na comunidade, que fica aos pés do Cristo.

“A ideia é fomentar o turismo”, conta Ana Lycia Gayoso, coordenadora da ONG. “São grafites, arte em azulejo e pinturas de artistas como Márcio Swk e Acme.” Ana conta que a negociação com os moradores fluiu quando eles perceberam que teriam voz ativa. Até então, a desconfiança imperava. “Não queriamos chegar impondo uma ideia.”

Um dos moradores, evangélico, só aceitou incluir seu muro no projeto ‘Arte Urbana’ quando encontrou-se com o artista escalado para fazer a obra. “O autor conversou com ele, falou que sua mãe também era evangélica e eles decidiram o tom da obra”, emenda Ana. A festa de inauguração será às 10h na Ladeira Cerro Corá, na altura do número 68.

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