No Tabajaras, O DIA promove debate sobre o turismo nas favelas

O 12º da série ‘Rio, Cidade sem Fronteiras’, reunirá Sebrae, Secretaria de Turismo do Rio, Observatório de Favelas e guias

Por nicolas.satriano

Rio - Após um intervalo de 10 meses — o último encontro aconteceu em maio, na Maré —, o projeto ‘Rio, Cidade sem Fronteiras’ fará seu 12º debate hoje no Complexo do Tabajaras, com o tema “O turismo como ferramenta de inclusão nas favelas.”

Representantes da Secretaria Municipal de Turismo, Sebrae, Observatório de Favelas e guias locais comporão a mesa, que pretende analisar oportunidades e dificuldades para o turismo sustentável nas comunidades. “É muito mais que a parte econômica. É uma ferramenta de inclusão”, afirma Gilmar Lopes, fundador da Tabritur (Tabajaras/Cabritos Turismo), que sedia o encontro com início às 18h.

“É a primeira vez que um evento assim acontece aqui”, diz Gilmar, sobre a série que O DIA vem desenvolvendo há dois anos. “Realmente espero que nos deixe um bom legado.”

O coordenador da ONG Observatório de Favelas, Jorge Barbosa, também aponta as possibilidades de autossustentabilidade nas favelas como grande legado que este tipo de turismo pode deixar: “Precisa ser pensado para promover uma identidade comunitária, promover direitos sociais e culturais.” Jorge afirma que o ideal é que os guias locais sejam capacitados para desenvolver um bom trabalho. “Isso precisa ser trabalhado junto com a história de cada favela, de cada território explorado. Cada uma é diferente da outra”

Gilmar (e) num dos mirantes acima da comunidade onde nasceu e vive%3A quebra de preconceito e sustentabilidade das favelas com a atividadeFabio Gonçalves / Arquivo Agência O Dia

A artista plástica e guia do Morro dos Prazeres, Carmen Givoni, falará sobre a experiência em trabalhar com jovens da favela, que vivencia um aumento de turistas por conta do Caminho do Grafite’. “O turismo proporciona um autoconhecimento, valorização, abre horizontes e quebra mitos.”

Segundo a analista de Empreendedorismo em Comunidades Pacificadas do Sebrae/RJ, Fabiana Ramos, incentivar ações que desenvolvam os territórios tem sido o objetivo da instituição desde a criação do setor, em 2011.

“O turismo local tem que deixar um legado para a comunidade, integrar e formar ações locais.” Fabiana cita como exemplo um guia de bolso que lançou no fim de 2014, com o mapeamento dessas ações. “Procuramos estimular a atividade turística enquanto cadeia produtiva.” Outra ação é uma rede de agentes de turismo que reúne guias locais da Rocinha, Mangueira, Santa Marta, Tabajaras, Prazeres, Turano, Salgueiro e os complexos do Alemão e da Penha.

Hip Hop do morro abre encontro

Seguindo a tradição dos encontros anteriores, o debate será aberto com a apresentação de um grupo da favela _ no caso, Hip Hop Dance In Rio, do Tabajaras, que promete surpreender com acrobacias ousadas.

“Ensaiamos 10 horas por semana para as apresentações”, afirma Hudson Bruno Albuquerque, um dos fundadores do coletivo, criado há um ano por ele e outros 17 amigos de escola, apaixonados por dança. “Fazemos flash mobs para divulgar nosso trabalho.” Ele conta que o grupo já colocou todo mundo para dançar rap em um bloco de Carnaval, na Praia de Copacabana, e até mesmo em um supermercado lotado, numa noite de sexta-feira. “Entramos para comprar salsichas depois de um ensaio. Um começou a dançar, depois outro e outro.”

Quando viram, 10 integrantes tinham parado o local, e funcionários e clientes só conseguiam erguer seus smartphones e filmar. “Não dá para perder a apresentação desta noite.”

Subsecretário de Turismo: 'Comunidades são polos culturais"

Subsecretário de turismo do município, Philipe Campello, que estará no 12° debate nesta terça-feira, faz uma breve análise sobre o turismo nas favelas.

1. Qual a importância de ocupar as favelas cariocas com ações turísticas diversificadas?

As comunidades são polos culturais que irradiam tendências do cotidiano carioca. Tanto em hábitos como em costumes, espalham novas modas e conceitos em forma de música, gastronomia e arte.

2. Esse turismo deve gerar renda para os próprios moradores?

Nada mais justo que a operação destes produtos gerem emprego e renda para a própria comunidade. Esse grande ativo das favelas é mais um atrativo que a cidade oferece a seus turistas.

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