Por thiago.antunes

Rio - Uma segunda-feira confusa e com muita gente perdida no Centro do Rio. Assim foi o primeiro dia útil após as mudanças, implantadas desde sábado, nos pontos finais e itinerários de 89 linhas de ônibus que circulam na região. Alguns coletivos seguiram por caminhos errados e, só pela manhã, 35 deles foram multados.

Para piorar a situação, no início da tarde, uma colisão entre um ônibus, um caminhão e mais três veículos fechou o Túnel Santa Bárbara, no sentido Laranjeiras, por mais de duas horas. Com o engavetamento, o trânsito parou no Centro e a prefeitura anunciou o estágio de atenção na cidade, pela primeira vez, por causa de um acidente.

Durante a manhã%2C a Avenida Augusto Severo%2C que teve várias paradas de ônibus retiradas de lá com a reorganização das linhas%2C seguiu com engarrafamento da Glória ao CentroBruno de Lima / Agência O Dia

O túnel ficou fechado de 14h05 às 16h20. De acordo com o chefe-executivo do Centro de Operações Rio (COR), Pedro Junqueira, esta foi a principal razão de intensos congestionamentos em importantes artérias do Centro, da Zona Portuária e no início da Avenida Brasil, próximo ao Into, com impactos na Cidade Nova e no Estácio.

“Levei mais de uma hora para chegar da Avenida Beira Mar à Mem de Sá. E olha que ainda esperei para sair de casa depois que soube do acidente”, disse o taxista Lacir Bandeira de Oliveira. O chefe do COR não descartou que o reordenamento dos ônibus possa ter interferido também. “Todas as mudanças que implantamos precisam de alguns dias de adaptação para fazermos uma avaliação profissional. É prematuro dizer que algo melhorou ou piorou em um dia. Ainda vamos conversar sobre a necessidade ou não de ajustes operacionais”, afirmou.

A expectativa da prefeitura, de que o reordenamento aliviaria o fluxo nos corredores BRS do Centro, no entanto, parece não ter sido alcançada. Nesta segunda, as pistas exclusivas para ônibus nas avenidas Rio Branco e Presidente Vargas tiveram movimentação intensa. Vias que deixaram de servir de terminal para várias linhas, como as avenidas Chile e Augusto Severo, na Glória, também não tiveram melhora nos engarrafamentos, comuns nas horas de maior movimento.

O taxista Lacir de Oliveira diz que levou mais de uma hora da Avenida Beira Mar à rua Mem de Sá%2C na LapaBruno de Lima / Agência O Dia

Os transtornos se somaram à interdição de três faixas da Avenida Rio Branco, entre a Rua Visconde de Inhaúma e a Av. Presidente Vargas, para as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). De acordo com a Secretaria Municipal da Transportes (SMTR), foram multados foram 30 ônibus intermunicipais e cinco municipais. As viações Blanco e Fagundes, das linhas intermunicipais, não se pronunciaram até o fechamento da reportagem. Já a Rio Ônibus, que representa as municipais, comentou que fiscais dos consórcios estão reforçando as orientações aos motoristas.

Batida no túnel leva a ‘estágio de atenção’

O engavetamento no Túnel Santa Bárbara, que causou reflexos no trânsito em vários pontos, envolveu um caminhão, um ônibus, um táxi, um utilitário e um carro na pista com sentido à Zona Sul. Treze pessoas ficaram feridas e foram socorridas nos hospitais municipais Souza Aguiar e Miguel Couto.

Conceição Alves pede informação ao descobrir que seu ponto mudouBruno de Lima / Agência O Dia

O chefe-executivo do Centro de Operações da prefeitura, Pedro Junqueira, explicou que o estágio de atenção é uma nomenclatura que passou a ser usada para acidentes desde o início do mês. Antes, era adotada apenas para fatores de risco climáticos. O objetivo é dar a real dimensão dos impactos para que a população possa decidir qual caminho seguir. O estágio de atenção é o segundo nível em uma escala de três e significa que um ou mais incidentes impactam, no mínimo, uma região, provocando reflexos relevantes na mobilidade.

Passageiros ficam perdidos

A cuidadora Conceição de Oliveira Alves, de 56 anos, ficou consternada quando chegou à Avenida Augusto Severo, na Glória, pela manhã, e não encontrou o ônibus 7721D, com destino a Santa Isabel, em São Gonçalo. Agora, ela precisa ir andando até a Rua Acre, o que levaria pelo menos 30 minutos, ou pagar uma passagem a mais. “Achei horrível, porque eu descia do 180 e pegava o ônibus para Santa Isabel aqui. Não faço ideia de como vou fazer agora para chegar ao novo ponto”, reclamou a passageira, que não sabia que o terminal tinha sido transferido.

Várias linhas de ônibus deixaram de ter pontos finais na Avenida Chile%2C mas o trânsito continuou ruim láBruno de Lima / Agência O Dia

Além da Augusto Severo, as avenidas Luís de Vasconcelos e Chile também tiveram pontos finais remanejados. A maioria deles passou para a pista lateral da Av. Presidente Vargas e para as ruas Acre e Camerino. Com a interdição parcial da Rio Branco, os ônibus que paravam no trecho afetado passaram a terminar a viagem na Rua Visconde de Inhaúma, entre as ruas da Candelária e Quitanda.

A demora dos ônibus e a falta de infraestrutura dos novos pontos foram outros problemas relatados. “Fiquei sabendo da mudança quando cheguei ao Centro hoje (ontem). Me informaram que o meu ônibus ia passar entre as ruas Alcântara Machado e Dom Gerardo, mas já estou há mais de meia hora esperando debaixo do sol e não passa nada”, queixou-se o artífice mecânico Eduardo Costa, de 53 anos, que preferiu continuar aguardando o 5721D (Apolo III) na sombra da calçada do outro lado da Rua Acre, já que o terminal não tem cobertura.

E não apenas passageiros ficaram confusos no primeiro dia de adaptação. Os motoristas também. “Muitos dos nossos condutores ficaram perdidos, porque não sabem que ruas devem acessar ao certo”, comentou Willian de Souza, fiscal da linha 478B – Mesquita (Via Chatuba), que passou a fazer ponto final na Camerino e não passa mais na Praça Tiradentes nem na Avenida Presidente Vargas.

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