Por tamara.coimbra

Duque de Caxias - Mais de um ano após a enxurrada que varreu Xerém, em Duque de Caxias, ainda restam carcaças de casas à beira do Rio João Pinto (conhecido como Capivari), moradores em área de risco, ruas destruídas e pontes em construção. A enxurrada, seguida de enchente do rio na madrugada de 3 de janeiro de 2013, deixou uma pessoa morta, 400 desabrigados e cerca de mil desalojados.

Não há controle sobre os 200 alugueis sociais pagos pela prefeitura. Muitos recebem o dinheiro (em média R$ 500), retornam às casas em situação de risco e permanecem recebendo. Outros, embora tenham seus imóveis sobre o rio, não têm acesso ao benefício. As quatro sirenes doadas pelo governo do estado e que serviriam para alertar sobre o nível do Rio Capivari não foram instaladas, apesar da promessa de que funcionariam em outubro.

Proprietários de casas atingidas pela enxurrada ainda não foram chamados para negociar com o IneaJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Há casos em que moradores sequer foram convocados pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) — responsável pelas indenizações. Apenas 31 famílias foram chamadas — são as que moram na Rua Alberto, que margeia o rio, e parte da Rua José de Paula.

Ainda assim, os 12 que já assinaram acordo não têm prazo para receber a indenização. O próprio Inea admite que “depende da disponibilidade orçamentária”. Outras opções são a compra da casa com o auxílio do órgão ou aceitar imóvel do Minha Casa, Minha Vida. Apenas duas famílias optaram por esta última. A prefeitura garante, porém, que desde janeiro de 2013 tirou 150 moradores de área de risco.

O aposentado Luiz Lourenço da Costa, 70 anos, garante que nem prefeitura nem Inea foram até sua casa, no que sobrou da Rua Hilário de Souza Bastos, para negociar. “Vou deixar tudo o que construí para trás? Não me oferecem casa nem indenização”, diz ele.

Prestação de Contas

Não houve também prestação de contas da prefeitura em relação aos R$ 3,1 milhões liberados pelo Ministério da Integração Nacional para assistência às vítimas nem dos R$ 4 milhões, para reconstrução da ponte e das vias. Por causa do atraso da prefeitura, o ministério não libera os R$ 8 milhões restantes.

O prefeito Alexandre Cardoso garante que as obras terminarão em ‘tempo recorde’: “Se houve atraso, a culpa é da população que se recusa a sair.”

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