Por clarissa.sardenberg

Rio - O bairro de São Matheus, em Meriti, tem uma longa história. E nele forjaram-se os homens mais eminentes da cidade. Muitos deram nomes de seus logradouros, praças e equipamentos públicos. É um dos mais antigos bairros da cidade. Seu território foi cortado por duas linhas férreas, ambas auxiliares da Estrada de Ferro Rio D’Ouro, inaugurada em 1883 como trem de passageiros. Vejamos alguns nomes, entre tantos, que achei por bem citar. Antonio Hermont, latifundiário e corretor, loteou parte das terras que pertenceram à Fazenda São Matheus; seu nome é lembrado como nome de rua no bairro. Morou durante muitos anos na casa sede da fazenda da Tranqueira, que ficava na Rua da Matriz, local onde hoje existe o depósito da Antarctica.

Luiz da Hora foi um político combativo e aliou-se a Cristovam Corrêa Berbereia. Meriti fazia parte de Nova Iguaçu como 4º distrito, e Luiz elegeu-se para vereador em 1936 pelo Partido Radical. Jorge Barbosa Monçores foi participante do 1º escalão da Força Expedicionária Brasileira, demonstrando atos de bravura e faleceu nos campos da Itália. Recebeu a homenagem com o nome da rua em que residiu.

Tenente aviador Nilton Campos Soares, piloto da Força Aérea Brasileira, filho de família do comerciante português Américo Soares, teve padaria na Rua Iara, hoje Rua Júlio Cheuhen. Sua morte foi trágica com a queda do avião que ajudava pilotar. Tem seu nome em uma das principais ruas do bairro.

Gumercindo Clemente Pereira foi proprietário de tradicional farmácia na atual Avenida Tenente Nilton Campos Soares, tendo participação ativa na vida política do município. Integrou a primeira Câmara Municipal, como vereador, representando o 2º distrito. Carnavalesco e incentivador das folias de Momo, foi um dos fundadores do bloco Mocidade de São Matheus e Unidos da Ponte, que existe até hoje. São Matheus também foi palco da criação do primeiro rancho carnavalesco da cidade, O Cordão da Mocidade, dando início a vários ranchos e blocos que se formaram no município a partir da década de 30.

Comendador Manoel Sendas, nascido na Cardanha, uma aldeia na região de Trás os Montes, Nordeste de Portugal, veio morar em São Matheus. Trabalhou com o tio, desde os 9 anos, entregando mercadorias e estabeleceu-se em São Matheus em 1924, com uma loja de secos-e-molhados chamado de Armazém Transmontano (foto).

Era o início de um império, que iria aglomerar supermercados, shopping centers, financeiras, fazendas e empresas de exportação e importação, nas mãos de seu filho Artur Sendas. Seu Manoel faleceu no dia 18 de setembro de 1989, e Artur, em 20 de outubro de 2008. A família Sendas deixou em São Matheus o registro de sua passagem.

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