Por tamara.coimbra

Duque de Caxias - Um povo sem memória é um povo sem História. Um povo sem História está fadado a cometer no presente e no futuro os mesmos erros do passado”. Impossível não vir à mente de quem visita os poucos conhecidos pontos históricos da Baixada Fluminense a frase da historiadora Emilia Viotti da Costa. Por ocasião do Dia da Baixada, que será comemorado na quarta-feira, O DIA esteve na última semana em quatro desses locais — um em Magé e três em Caxias — e encontrou o patrimônio histórico e cultural degradado.

Criado há 14 anos por um grupo de intelectuais com a ideia “de fazer discutir a região” e “de preservar nosso patrimônio”, a data “será uma ótima oportunidade para pensarmos o que queremos e cuidarmos do que fomos”, sugere o historiador Gênesis Torres, um dos envolvidos na criação do dia e presidente do Instituto de Pesquisas do Patrimônio Histórico da Baixada. “Queremos que a população, os grupos culturais e as escolas comecem a discutir sobre nós mesmos e a tomar conta do que é nosso”, pede ele.

Cais totalmente enferrujado do que sobrou do glamour que existiu até meados dos anos 20 em MagéJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

A historiadora Tania Amaro, do Núcleo de Memória e Documentação da Unigranrio, concorda: “Só nos sentimos cidadãos plenos de uma determinada região, quer dizer, aquele sentimento de pertencimento, quando conhecemos a nossa própria história.” Para a ocasião da data, ela visitou o antigo porto da Praia de Mauá e à Estação da Guia Pacobaíba, em Magé, e à Igreja do Pilar, à Fazenda São Bento e ao sítio arqueológico sambaqui, em Duque de Caxias. Em todos, a reportagem constatou prédios degradados, estruturas deterioradas, falta de investimento em pesquisa e a iniciativa de grupos de historiadores, ligados a universidades locais, trabalhando para tentar preservar o que sobrou do patrimônio histórico — os exemplos serão mostradas nas próximas páginas.

“Tudo isso é nosso patrimônio. É patrimônio de quem é da Baixada, do Rio, de quem é brasileiro”, acrescenta a coordenadora patrimonial do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB), a arqueóloga Jandira Neto. O IAB, da qual faz parte, fica em Belford Roxo e completará 53 anos, na terça-feira, um dia antes do Dia da Baixada.

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