Um pouco de História: Os engenhos e a prole sefardita na Baixada Fluminense

Gênesis Torres fala sobre o autor dramático Antônio da Silva

Por O Dia

Antônio José da Silva é considerado o mais representativo autor dramático português em meados do século 18, com pelo menos oito óperas joco-sérias – comédias musicadas de bonifrates – que ainda hoje são levadas à cena por várias companhias teatrais. Chamado ‘O Judeu’ pela sua ascendência hebraica, ele nasceu em 8 de maio de 1705, no engenho do avô materno Balthazar Rodrigues Coutinho, no bairro da Covanca, em São João de Meriti. Antônio — filho dos cristãos-novos João Mendes da Silva, advogado e poeta e de Lourença Coutinho — foi perseguido pela Inquisição e levado várias vezes perante o tribunal até que foi condenado a morte.

Os sefarditas tornaram-se senhores de numerosos engenhos durante o domínio dos habsburgos da Espanha, e a cidade do Rio de Janeiro dominava no final do século 17 o controle destas unidades de produção. José Gonçalves Salvador afirma que “em 1607 o Rio conta com 14 engenhos. Vinte anos após frei Vicente dá-lhe 40. Aumenta a imigração e em meados do século, apenas Salvador de Sá tem cinco engenhos. O comércio se reativa e a metade da população é formada de hebreus. A Capitania prospera e nos dizeres de Salvador Correia de Sá à el-rei em 1639, ela constitui a melhor de todas do Brasil”.

Pelas margens do Rio Meriti-Pavuna havia os engenhos com Invocação de São Francisco na Pavuna, capela, capelão e pertencia a Alexandre Soares Pereira. João Correia Ximenes era dono das terras margeadas pelo mesmo rio. Nas encostas do Jericinó (Nilópolis) e arredores estavam assentadas as famílias Azeredo Coutinho, os Lucena Montarroio, Alvares Pereira, os Correia Ximenes e outros. O neto de Miguel Cardoso, seu homônimo, foi batizado na freguesia de São João Baptista de Trairaponga (em Meriti).

Tribunal de Inquisição no Século 18%3A condenações a morteDivulgação

Entre os Azeredo Coutinho que vieram do Espírito Santo está a cristã-nova Esperança, neta de Bárbara da Rocha, filha de Isabel de Azeredo Coutinho e foi casada com Diogo de Lucena Montarroio. Era sobrinha de Miguel Cardoso, com sinagoga em casa. Esperança era dona da imensa ilha dos Sete Engenhos (Ilha do Governador, que tinha pertencido ao segundo governador da cidade do Rio de Janeiro Salvador Corrêa de Sá) e da Fazenda Jacutinga próximo a Meriti.

Além das atividades administrativas dos engenhos, era plantadora de mandioca, banana e tinha pasto para gado. Foi única nos cabedais, quando presa no Rio. Esperança no tribunal de inquisição não informou o nome do avô, porém, diz que tenha sido João de Azeredo Coutinho, também do Espírito Santo. Esperança é condenada a morte no Tribunal de Inquisição.

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