Rio - Nomes bem familiares em nosso cotidiano como: Cardoso, Silva, Araújo, Soares Pereira, Paredes, Azeredo, Lucena, Montarroio, Roiz Andrade, Ximenes, Soares de Mesquita, Medanha, Moreira, Moura, Fogaça, Vale da Silveira, Fernandes Teixeira, Sampaio, Nunes Vizeu, Mendes, Silvestre, Caldeira, Coutinho, Barros, Maris, Gomes da Silva, Baltazar Borges, Duarte, Costa Moreno, Fernandes Vitória, Duarte de Sá, Correia de Sá e Benevides, Manuel do Couto, Barros de Miranda, Machado Homem, Rodrigues Andrade, Paz, Ramirez, Leão, Guterrez, Mourão, Brum, Melo de Castro, Aborim, entre outros, nos fazem lembrar de um membro da família, de um amigo ou de um conhecido. Atrás de cada sobrenome está um judeu cristão-novo, que passou de uma forma direta ou indireta pela Baixada nos séculos 17 e 1.
O povo brasileiro, em especial o do recôncavo, é o resultado de uma intensa miscigenação étnica e cultural, o que fez gerar uma pluralidade de costumes e tradições sem precedentes na história. Os costumes e as tradições são traços tão fortes que acabaram por moldurar os comportamentos e os fazeres. Essa diversidade deve ser reconhecida, respeitada e valorizada.
Rita Miranda Soares escrevendo sobre os costumes sefarditas nos diz: “Resgatar esses valores é resgatar a própria cultura e a tradição que se viu camuflada, esquecida em muitas casas, simplesmente para que as famílias pudessem fugir às mãos de ferro da Inquisição”.
No dizer de Vital Ben Waisermman, o povo judeu vivendo há dois mil anos na diáspora, forçado a mudar constantemente de país, acabou criando e fortalecendo suas raízes também através de sua culinária, transmitida de geração em geração. Assim, a comida acabou sendo o símbolo da continuidade, o laço com o passado ainda que influenciada pela cultura dos países nos quais as comunidades judaicas se estabeleceram ao longo dos séculos.
O cotidiano forçou o nascimento de expressões que surgiram dos costumes e das tradições arraigadas como: Ficar a ver navios; Pensar na morte da bezerra; Passar a mão na cabeça; Passar mel na boca; Para o santo; Pagar siza; Vestir a carapuça; Deus te crie; Pedir a bênção; Entrar e sair pela mesma porta traz felicidade; Varrer a casa da porta para dentro; Apontar estrelas faz crescer verrugas nos dedos etc.
É bom mencionar que não é politicamente correto usar o verbo judiar e o substantivo judiação, ambos tem o sentido e significado de maltratar, torturar, atormentar. Judeu tem sido apresentado com o significado de usurário. Ambas as conotações passam um sentido negativo e não devem ser usadas, assim estamos preservamos a memoria daqueles que contribuíram para formar as matrizes da cultura Brasileira.