Índice de criminalidade aumenta na Baixada e assusta moradores

Registros de carros roubados subiram de 740 (maio de 2013) para 1.148 no mesmo mês este ano. População está preocupada

Por ramon.tadeu

Rio - O gerente de projetos Atos Diego Nogueira, de 27 anos, passou pelos piores 20 minutos de sua vida quando foi abordado por quatro assaltantes na porta de casa, no bairro 25 de Agosto, em Duque de Caxias. Assim como ele, moradores da Baixada têm sofrido na pele e no bolso o drama impulsionado pelo aumento da criminalidade na região. É o que mostra os índices de maio do Instituto de Segurança Pública (ISP) publicados esta semana.

Os registros de roubos de veículos nos 13 municípios da região subiram 55%, quando comparados com o mesmo mês no ano passado. Ocorrências desse tipo de crime passaram de 740 para 1.148. Houve aumento também do número de assaltos a pedestres de 1.517, em maio de 2013, para 2.086 este ano, alta de 37,5%.

Atos foi assaltado na porta de casa no bairro 25 de Agosto%2C em Caxias Alziro Xavier / Divulgação

Atos, que além de perder o veículo foi vítima de sequestro relâmpago, recorda o fato: "Era sábado à noite. Eu e minha mulher íamos para uma festa. Enquanto o portão da garagem fechava, ladrões armados pararam atrás da gente, me colocaram para dentro do meu carro e ficamos rodando pelo município passando por vários bancos. Por fim, me deixaram em uma rua e foram embora. Foram momentos de pânico. Pensei que ia morrer”, lembra.

De acordo com o ISP, houve, também, um acréscimo de 26 registros de roubos a estabelecimentos comerciais contrastando o mês de maio de 2013 e o mesmo mês desse ano, que passou, respectivamente, de 147 para 173. A elevação totaliza 17%. Foi contabilizado, também, no mesmo período, um aumento de 11,6% em roubos de aparelhos de celular.

Apesar disso, teve queda a quantidade de residências roubadas. Segundo o Instituto de Segurança Pública, o cálculo de 30 registros, em maio do ano passado, caiu para 21, no mesmo mês de 2014, uma redução de 30%.

Comandante diz que trabalhos sociais podem ajudar

“Se houvesse uma estrutura de qualidade, um aumento no número de formação dos policiais e um funcionamento básico das escolas militares, talvez esse aumento da incidência criminal na Baixada fosse amenizado”, afirmou o comandante do 15º BPM ( Duque de Caxias), Ranulfo Brandão, que acredita não ser a polícia a única responsável por combater a criminalidade na região: “Outros serviços como trabalhos sociais, escolas e geração de empregos poderiam se destacar”.

Em Belford Roxo, apesar do número de roubo a veículos ter reduzido em 13,6%, quando equiparado o mês de maio desse ano e o mesmo mês do ano passado, há reclamações de constantes assaltos. Quatro vans da corporativa Cooper Kombel, no Centro da cidade, foram assaltadas em menos de 15 dias. “ Paguei apenas seis das 36 prestações de R$ 2, 5 mil do veículo que me levaram”, diz o permissionário Sérgio Nascimento, 48, e seu amigo, Marcos Fonseca, 32, teve que pegar uma Kombi emprestada para continuar trabalhando e sustentar a família.

Os motoristas Marcos e Sérgio tiveram a van roubada em Belford RoxoAlziro Xavier / Divulgação

São João de Meriti é o município que mais registrou este crime, uma alta de 94%

Em São João de Meriti, na área do 21º BPM, o número de registros de roubo a transeuntes calculados na 64ª DP (Vilar dos Teles) é o maior se comparado com os outros municípios da Baixada. O ISP aponta um aumento de 184 registros, no mês de maio do ano passado, para 348, em maio deste ano, uma alta de 94%.

Para a diarista Glória de Assunção Farias, de 37 anos, 20 deles morando no bairro São Matheus, a situação tende a piorar. Ela já foi assaltada oito vezes no município e não se sente segura. “Aqui os crimes não têm hora nem lugar para acontecer. Já era de se esperar que São João de Meriti batesse o recorde de criminalidade porque não há viaturas de polícia fazendo ronda pelas ruas. Os moradores não têm uma vida segura”, lamenta Glória.

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