Bares e restaurantes de Nilópolis estão com pouco estoque de cigarros. Há um mês, a Souza Cruz suspendeu as entregas por causa dos roubos de carga. Comerciantes estão tendo de recorrer a um supermercado, o único onde a fabricante mantém o fornecimento regular, para atender à demanda dos clientes.
Dono de bar há 13 anos, Adilson Ferreira Alves, de 62 anos, conta que a medida mudou toda a rotina de seu trabalho. “Tenho que ir ao supermercado e encarar fila. Perco tempo, a despesa aumentou e corro risco de assalto quando saio cheio de mercadoria”, afirma Alves, que vende, em média, 200 pacotes por mês.
De acordo com o Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (Isp), de janeiro a julho foram registrados 56 casos de roubos de carros de entrega de cigarros. O número é 166% maior que o do mesmo período do ano passado, quando houve 21 assaltos.
Em nota, a Souza Cruz informou que o abastecimento está sendo feito por supermercados e atacadistas. Segundo a empresa, a ação visa preservar seus empregados.
O delegado da 57ª DP (Nilópolis), Geraldo Assed Estefan, que assumiu o posto em agosto, nega que a situação seja tão grave como diz a empresa. E o inspetor Marcelo Jano, da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (DRF), garante que não há registro de roubo de caminhões de entrega de cigarros na cidade.
O secretário municipal de Segurança Pública, Felipe Cavalcanti, também afirmou desconhecer a paralisação do fornecimento. “Oficialmente, não sabíamos da restrição da empresa. Vamos buscar dialogar com a Souza Cruz para normalizar os serviços”.
Cavalcanti destacou que até o fim do mês uma Companhia Destacada a Polícia Militar será instalada na cidade, o que, segundo ele, vai ajudar a reduzir o índice de roubos.
Mas nem todos reclamam. Pedro Paulo, de 60 anos, que é fumante, até vê vantagens na dificuldade de comprar cigarros. “Quando não encontro, fico sem fumar. Não esquento muito, porque está ajudando na minha saúde”.