Por felipe.carvalho

O estilo barroco, que nasceu na Europa como fruto da contrarreforma religiosa, foi trazido para o Brasil no Século 17, caracterizado na arquitetura e nas artes com o estilo dinâmico das formas, profusão e sinuosidade dos elementos ornamentais. Teve seu esplendor no país durante o Século 18 refletido nos mosteiros e na igrejas das regiões mineradoras, com altares e cantarias esculpidas em pedra sabão, sendo Antônio da Silva Lisboa, o Aleijadinho, o expoente máximo desse estilo, como arquiteto, escultor e entalhador. Logo após em destaque, vem o pintor Manoel da Costa Ataíde, o Mestre Ataíde. Os dois são considerados os maiores artistas barrocos do Brasil.

O Rio de Janeiro, com o porto mais próximo a essa região e tendo como rota a Baixada Fluminense, não poderia deixar de receber um pouco desta riqueza em sua arquitetura, música, imagens e móveis, entre outros, formando conjunto de estilos que marcaria época no período colonial.

Na Baixada Fluminense, a ocupação religiosa começou com a construção de capelas sem cuidados técnicos e, geralmente, em taipas de pilão que ruíram. Em sua substituição por igrejas nas quais a pedra e a cal tiveram ampla aplicação, as linhas arquitetônicas seguiram o estilo barroco, sem a suntuosidade dos grandes centros econômicos por causa da parcimônia do erário real. Devemos entender também que uma das causas do barroco pouco elaborado na Baixada foi a grande presença da colônia judaica, disfarçada sob a denominação de cristãos novos, a partir da segunda metade do Século 16. Convertidos ao cristianismo, com a nova denominação, esses judeus adquiriram terras e engenhos com toda a estrutura escravagista, mantendo, porém, sua unidade cultural na comunidade.

Altar barroco da Igreja do Pilar, em Caxias, não existe maisDivulgação

Nas igrejas e capelas erguidas, na sua maioria, em terras de sua propriedade evidencia-se o descuido de uma arquitetura menos elaborada conforme os padrões da época. Entretanto, no seu interior, encontra-se, em algumas das igrejas, como elemento comum, a talha primorosamente executada na madeira, em incontável profusão de formas, exibindo rica ornamentação dourada e policromada, complementando o conjunto de imagens e querubins.

Seu uso mais frequente é a exposição em retábulos para o culto devocional, seja com invocação principal no trono dos camarins ou invocações secundárias nos nichos laterais. Ainda que o ciclo do açúcar tenha criado condições favoráveis ao desabrochar do barroco em toda a costa, foi o ouro, abundante durante o Século 18, que desencadeou, na única via livre de controle econômico, a construção de as igrejas, deixando a marca inesquecível do barroco na Baixada.

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