Ledo engano. Ainda não havia condições tecnológicas para que o ser humano colocasse em prática um extermínio em massa nos mares, do qual foi o bacalhau o infeliz protagonista. Atualmente, nos mares citados pela revista há mais de um século, a pesca do Gadus morhua, o bacalhau do Atlântico — espécie mais nobre e cobiçada —, está proibida ou restrita para que as populações se recuperem e o peixe não suma do mapa. De fato, para a nossa sorte, apenas uma fêmea de bacalhau é capaz de produzir cerca de 9 milhões de ovas, e o peixe ainda alegra as mesas.
Ao longo da história, porém, nosso protagonista sofreu processo inverso ao do salmão, outro cobiçado rei das águas. Este passou de raridade a peixe acessível quando começou a ser criado em cativeiro, enquanto o bacalhau, que por volta do século 16 era a ‘sardinha’ do dia a dia na Europa, é hoje quase um item de luxo, consumido por aqui em datas como o Natal.
Novamente para a nossa sorte, não bastassem a sua resistência e a sua capacidade de multiplicação, o peixe que é tradicionalmente salgado — o termo ‘bacalhau’ se refere ao processo — tem carne farta e consistente, que também se multiplica ao ser desfeita, gerando alto rendimento em receitas variadas.
A prova está nos destaques da Baixada para o Natal. Na Casa do Bacalhau (2667-6216), em Nova Iguaçu, as postas são rapidamente fritas com batatas douradas, cebola e pimentões refogados, ovo cozido, brócolis, azeitonas pretas e um potinho de azeite quente com alho (R$ 120, serve dois ou três). O cento do bolinho já frito pode ser encomendado por R$ 75, e retirado até o dia 24, às 16h.