Por felipe.carvalho
Os números impressionam, ainda mais na época em foram publicados. Em 1901, a revista espanhola ‘Alrededor del Mundo’ afirmava que a cada ano se pescavam, na Noruega, 60 milhões de bacalhaus. Mais 20 milhões na Islândia. E 150 milhões na Terra Nova, no litoral canadense. E ainda assim os cientistas não acreditavam que a espécie estaria ameaçada, tão impressionante era a sua capacidade de reprodução.
No Peixe do Vanor, a moqueca de bacalhau tem lombo cozido, molho de camarão, palmito e pirãoDivulgação

Ledo engano. Ainda não havia condições tecnológicas para que o ser humano colocasse em prática um extermínio em massa nos mares, do qual foi o bacalhau o infeliz protagonista. Atualmente, nos mares citados pela revista há mais de um século, a pesca do Gadus morhua, o bacalhau do Atlântico — espécie mais nobre e cobiçada —, está proibida ou restrita para que as populações se recuperem e o peixe não suma do mapa. De fato, para a nossa sorte, apenas uma fêmea de bacalhau é capaz de produzir cerca de 9 milhões de ovas, e o peixe ainda alegra as mesas.

Ao longo da história, porém, nosso protagonista sofreu processo inverso ao do salmão, outro cobiçado rei das águas. Este passou de raridade a peixe acessível quando começou a ser criado em cativeiro, enquanto o bacalhau, que por volta do século 16 era a ‘sardinha’ do dia a dia na Europa, é hoje quase um item de luxo, consumido por aqui em datas como o Natal.

Novamente para a nossa sorte, não bastassem a sua resistência e a sua capacidade de multiplicação, o peixe que é tradicionalmente salgado — o termo ‘bacalhau’ se refere ao processo — tem carne farta e consistente, que também se multiplica ao ser desfeita, gerando alto rendimento em receitas variadas.
A prova está nos destaques da Baixada para o Natal. Na Casa do Bacalhau (2667-6216), em Nova Iguaçu, as postas são rapidamente fritas com batatas douradas, cebola e pimentões refogados, ovo cozido, brócolis, azeitonas pretas e um potinho de azeite quente com alho (R$ 120, serve dois ou três). O cento do bolinho já frito pode ser encomendado por R$ 75, e retirado até o dia 24, às 16h.

No Peixe do Vanor, a moqueca de bacalhau tem lombo cozido, molho de camarão, palmito e pirão, e a novidade do mês é o rodízio de todos os pratos da casa por R$ 49,90, incluindo refrigerantes, em mesa com mínimo de 10 pessoas e reserva na véspera. O Bacalhau do Vanor faz parte da festa, empanado na farinha de trigo, com direito a camarões fritos.
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O Vikings (2669-0007), na mesma cidade, imprime seu estilo no prato Erik, o Vermelho (R$ 125,90, para dois), homenagem ao fundador da Groelândia. A diferença está no molho vermelho à base de tomate sobre os lombos, as bordas de purê de batatas em fundo de cebolas e ovos de codorna. E no Rei do Bacalhau (2671-3075), em Caxias, o Gomes de Sá utiliza as lascas do peixe salteadas com cebola, azeitona e ovos cozidos (R$ 145, para duas pessoas). Navegar é preciso quando o assunto é bacalhau.