Por felipe.carvalho
Se quem canta os males espanta, para o eletricista Paschoal Evaristo, 55 anos, e outros 35 componentes do Coral Superação, de Queimados, a música ultrapassa os limites da diversão e alegria. Também significa a luta pela reabilitação. Eles utilizam a arte para superar as sequelas do AVC (Acidente Vascular Cerebral). O tratamento é oferecido de graça no Centro Especializado em Tratamento de Diabetes e Hipertensão, na Vila Pacaembu.

Eles terão pela frente um teste de fogo: Vão se apresentar em público pela primeira vez no dia 29 de dezembro, na festa de encerramento de ano da unidade médica. O ensaio geral para a apresentação será na terça-feira. Idealizadora do projeto e ensaiando o grupo há cerca de quatro meses, a fonoaudióloga Dra. Kátia Cristina destaca que o coral é formado por pessoas que sofreram consequências graves como afasia (ausência e/ou alteração na linguagem) e disartria (alteração na fala).

Grupo se apresentará no dia 29. Ensaio geral será na terça-feiraFelipe Bragança/Divulgação

“Divisões de vozes e outras técnicas dos corais tradicionais para gente é o que menos importa. O que vale mesmo é que, com muitas dificuldades, as pessoas estão buscando através da música melhorar suas condições de fala e linguagem”, frisou a fonoaudióloga.

Paschoal Evaristo é o violonista da turma e sai do bairro Delamare duas vezes por semana para participar dos ensaios. Músico desde os 16 anos, ele já sofreu três AVCs e há 12 anos luta contra as sequelas da doença. “Quando cheguei aqui, minha fala era incompreensível. Hoje, poder tocar violão e voltar a cantar no coral é uma grande vitória”, diz emocionado.
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A Prefeitura de Queimados informou que os pacientes que sofrem AVC são levados a uma unidade médica de emergência e depois são encaminhados para os tratamentos em centros especializados como o da Vila Pacaembu. Como o Acidente Vascular Cerebral é consequência de doenças como hipertensão e diabetes, a unidade dispõe de fonoaudiologia para o tratamento.