Hospital psquiátrico na mira da Justiça

Prefeitura de Paracambi assume administração, mas parentes de internados temem fechamento

Por marcelle.silva

Parentes de pacientes internados no Hospital Paracambi, que há mais de 30 anos atende pessoas com transtornos mentais, estão com medo de a unidade ser fechada definitivamente. O hospital, que era particular e conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS), está sob intervenção da prefeitura desde o início de janeiro, por ordem da Justiça. A medida foi determinada por causa de irregularidades como estrutura física precária, número reduzido de empregados e maus-tratos.

O hospital atende 154 pacientes de seis cidades da Baixada. Segundo o juiz Glicério de Angiolis Silva, eles estavam sendo tratados como “farrapos humanos”. Em sua decisão, o magistrado alega, na unidade, “parecem que tratam os pacientes como se fossem verdadeiras coisas”. Além disso, alerta que vários deles estão “enclausurados há anos, quando a tônica da instituição deveria ser a desinternação”.

Levantamento da Justiça aponta diversas irregularidades no hospital%2C entre elas a estrutura física precáriaFoto de leitor

Mesmo assim, parentes de doentes temem pelo fechamento da unidade. O medo é de não ter alternativa na cidade ou em seu entorno. É o caso da aposentada Gildete Santos, de 76 anos, que há três anos internou o filho Marcelo de Azevedo, de 42 anos, que sofre de esquizofrenia. “Antes, ele vivia fugindo de casa; quando não fugia, me batia. Bom o serviço não está, mas não tenho meios de cuidar dele”, diz Gildete, que recebe um salário mínimo.

Levantamento da Justiça aponta diversas irregularidades no hospital, entre elas a estrutura física precária

Foto: Foto de leitorA diretoria da unidade está sendo questionada pelo Ministério Público. Entre os réus está Durval Luz, pai do presidente da Câmara de Vereadores, Durval Mutran Luz, que não faz parte oficialmente da diretoria, mas atuava como médico na instituição. A unidade recebe verba do SUS, e os pagamentos estão em dia, segundo a prefeitura. Mas funcionários que não se identificaram, com medo de represálias, disseram que os salários estão atrasados há três meses e também não receberam o 13º.

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