Por marcelle.bappersi

Rio - A crise econômica brasileira parece ter feito uma curva quando o assunto é o mercado moveleiro na Baixada. Das 697 indústrias do segmento no Estado do Rio, 164 estão nas 13 cidades da região. Elas faturam em média R$ 2,4 milhões por ano, o equivalente a 27% de tudo que é produzido pelo setor no estado, segundo a Federação das Indústrias do Rio (Firjan).

A redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de 12% para 2%, em agosto do ano passado, aliado ao investimento pesado em design de produtos diferenciados são alguns dos fatores que contribuíram para o setor conseguir driblar a recessão.

Formada em sua maioria por empresas de pequeno e médio porte, a rede moveleira da Baixada emprega 2.244 pessoas, o que representa 30% dos empregos no setor moveleiro do estado. Os destaques ficam com Nova Iguaçu, com 889 vagas em uma única fábrica de colchões, e Duque de Caxias, que emprega 535 pessoas no ramo de fabricação de móveis de madeira, de acordo com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico.

A subsecretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Dulce Ângela Procópio, diz que a expectativa é de crescimento para os próximos anos. “Temos uma lei atraente para manter e trazer novas indústrias para a região e o produto ganhou valor agregado com o design. Um armário padrão que custa R$ 100, se acoplado a outras utilidades pode ser vendido a R$ 110, por exemplo”.

De acordo com a Firjan, de 2004 a 2013, a indústria criativa no país gerou mais de R$ 126 bilhões ao ano. No período, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor cresceu 69,8%, acima do avanço de 36,4% do PIB brasileiro.

Na Baixada, uma das revelações no segmento foi a indústria Pereira Lopes Marcenaria Corporativa, de São João de Meriti, especializada em móveis sob medida e projetos especiais para o segmento corporativo. A empresa criou, em parceria com o estúdio de design Baobá, uma linha de mobiliário voltada para o escritório em casa.

O lançamento aconteceu no último dia 11, na sede do Sistema Firjan, no Centro do Rio. Antes, porém, em abril, os produtos foram expostos no Salão Internacional do Móvel de Milão, na Itália, na edição da Rio+Design, principal evento moveleiro do mundo. “O investimento em design possibilitou criar projetos inovadores, ganhar novos mercados, otimizar a produção, ampliar nossa fábrica e vencer a crise. Temos muito a crescer”, destacou Cláudio Lopes, diretor da empresa.

Números

Da produção do setor moveleiro no estado vêm das 164 indústrias espalhadas pelas 13 cidades da Baixada. Elas faturam, em média, R$ 2,4 milhões por ano e já geraram 2.244 empregos, o equivalente a 30 % em todo estado, que tem 5.073.

Inovação é a alternativa para pequenos e médios

A linha de escritórios em casa da Pereira Lopes (acima) e o berço da Multform foram apresentados e se destacaram na Senai DesignDivulgação

A Multform, de Nova Iguaçu, é outra empresa que ganha destaque. Ela criou no início do ano o berço multform BDP-BDG, estrutura sanfonada e totalmente dobrável, que permite mais facilidade na montagem, no transporte e ano armazenamento.

O especialista em designer de móveis do Sistema Firjan Hugo Costa Gripa explica que a inovação é o caminho para pequenas e médias indústrias. “Elas se diferenciam pelo produto inovador e não por preço”.
Os produtos foram criados durante a segunda oficina do Senai Design, que uniu nove indústrias fluminenses, entre elas a Pereira Lopes e a Multform. Durante oito meses, os empresários e designers desenvolveram projetos de adequação a espaços pequenos, de acabamento de alto nível, de redução do custo e de apelo sustentável.

Após a produção, as novidades chegaram ao mercado. A Multform, por exemplo, oferece cadeiras empilháveis e os móveis dobráveis nas principais redes hoteleiras do Rio, como Sheraton, Accor e Windsor, entre outras.





Mesa se adapta a qualquer ambiente

Retrátil%2C a mesa cresce ou diminui de acordo com a necessidadeDivulgação

No Espaço Elegante (Avenida Getúlio Vargas 1.856, Centro de Nilópolis, telefone 2691-0074) um dos móveis mais procurados é a mesa retrátil ou dobrável. Ela pode ser adaptada ao tamanho da sala e ao número de pessoas.

São cinco modelos. O mais simples é de 80 por 80 centímetros que, aberta, chega até 1,40m com quatro cadeiras. A mais luxuosa, de 85 cm por 1,40m, chega a dois metros de comprimento e pode receber seis ou oito cadeiras. “Sempre recebo visitas em casa. Uma mesa com seis cadeiras às vezes não dá, Então, posso ampliá-la para oito. Quando não tem visita, deixo com seis mesmo para economizar espaço”, disse a vendedora Sandra dos Santos, de 46 anos.

O Espaço Elegante inovou também ao oferecer camas para casal com oito gavetas; geralmente são até quatro. Atualmente, lançou a nova linha de cômodas, mesas para computadores e rackes.

Gilson do Nascimento, supervisor da empresa, lembra que crises econômicas afetam logo o mercado moveleiro e, por isso, é preciso investir em novidades e dar facilidades ao consumidor. “Financiamos em até 10 vezes”, disse. O Espaço Elegante abre de segunda a sexta-feira das 9h às 19h e aos sábados até às 16h.


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