Menos de 8% dos pontos de ônibus de Nova Iguaçu têm coberturas adequadas

E a estrutura física é inexistente

Por marcelle.abreu

De todos os pontos de ônibus existentes em Nova Iguaçu, menos de 8% possuem abrigos e coberturas em perfeito estado, de acordo com dados da própria prefeitura. Em muitos casos, a estrutura física é inexistente. Antes de se apertar dentro dos coletivos para conseguir um espaço e seguir viagem, faça chuva ou sol, os passageiros precisam primeiro disputar um lugar embaixo de qualquer marquise ou estrutura que ofereça alguma proteção, enquanto aguardam a chegada dos ônibus.

Pontos de ônibus de Nova Iguaçu estão abandonadosCarlo Wrede / Agência O Dia

Próxima à estação ferroviária, que corta os dois lados da cidade, a Avenida Bernadino de Melo, no Centro, é retrato fiel do drama diário vivido por quem opta pelo transporte público. Bancos quebrados ou remendados, coberturas rachadas e prestes a cair, estruturas enferrujadas e parafusos expostos formam o visual de uma das paradas de ônibus mais movimentadas da cidade.

Moradora de Cabuçu, a Operadora de Caixa Mônica Lopes, de 37 anos, sai de casa pela manhã todos os dias para o trabalho, no Centro. Após horas de esforço e com o sol já se pondo, vem o momento mais difícil, a espera pelo ônibus da linha KM 32 via Cabuçu, Marapicu e Dom Bosco, em abrigos sem iluminação e com os bancos estão quebrados. “Quando chove saímos molhados, quando faz sol parece que estamos na sauna de tanto suar”, desabafa.

A dura realidade se repete para a dona Regina Célia, de 56 anos. Na volta para casa, espera pelo ônibus sentada em um abrigo sustentado por caixotes e emendado com fitas plásticas para não cair. “Tenho medo, mas vou fazer o quê?”, indagou Regina.

Bancos caíram e ficaram os parafusos. “Vira e mexe vai passageiro para a Posse”

Um fiscal da empresa Glória Ponte Coberta — responsável pelas linhas de ônibus citadas informou, sem se identificar, que há quatro anos, ainda na gestão da ex-prefeita Sheila Gama (PDT), alguns abrigos chegaram a cair e por isso a prefeitura optou por removê-los na época, porém deixou parafusos expostos no local. Se a estrutura dos poucos abrigos existentes é precária, muitos pontos de ônibus da cidade têm apenas a demarcação no asfalto e uma placa ou um poste informando que aquele é o local de parada de transporte coletivo. Na Avenida Bernardino de Melo, por exemplo, os usuários recuam cerca de 100 metros para não ficarem parados na esquina com a Rua Dr. Thibau, onde indica a placa da parada de ônibus. “Eles (a prefeitura) aproveitam o poste de luz para não ter que gastar com um poste apropriado para a sinalização”, disse uma Fiscal de Trânsito da prefeitura, sem se identificar com medo de represálias.

Em nota, a Secretaria Municipal de Transporte disse que está elaborando um termo de referência que prevê a substituição dos abrigos existentes e implantação de outros novos. Segundo o órgão, serão adquiridos 400 novos abrigos, que substituirão os cerca de 100 existentes e contemplarão ainda mais 300 em novos locais. A previsão é iniciar a instalação ainda este ano.


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