Setor imobiliário movimenta a economia da Baixada Fluminense

Novos empreendimentos contrariam a crise econômica

Por marcelle.abreu

Em tempos de crise econômica do país, o município de Nova Iguaçu parece estar na contramão e continua sendo um pólo atrativo para os investidores. Novos empreendimentos têm surgido na cidade, que está entre as cem melhores do Brasil para investir em imóveis, segundo pesquisa realizada pela Prospecta Inteligência Imobiliária.

Stand de vendas de imóveis recebe clientes todos os diasBruno de Lima / Agência O Dia

No 26ª colocação do ranking o setor mobiliário , desde 2013, considerando somente os empreendimentos com mais de 50 unidades, foram construídos quase 3 mil unidades residenciais com valores que variam de R$ 160 mil até R$ 900 mil. Somente neste ano de 2015 já foram lançados três novos empreendimentos. O último realizado no início deste mês, o The Park Design Residences, vendeu 83% das unidades em apenas uma semana.

A compra de imóveis para moradia ou para investimento é uma opção segura e atrativa para quem teme incertezas do mercado financeiro. “É um investimento conservador e rentável a médio e longo prazo”, avalia a economista Queila Couto. “Hoje vejo a compra de imóveis como um investimento e tenho tido lucros desde que decidi investir neste ramo”, diz o empresário Christom Duarte.

Em reunião com corretores de imóveis e empresários o prefeito Nelson Bornier disse que apesar da crise econômica e da redução de crédito, vista como empecilho, o mercado imobiliário de Nova Iguaçu está sólido. “Aqui na nossa cidade não há crise para grandes investidores”, afirmou. Nelson Cohen, presidente da construtora Visione, fala dos pontos fortes da cidade. “A cidade se torna atrativa pela diversidades de serviços que oferece, o forte comércio, universidades, conceituadas redes de restaurantes e outras ofertas. O morador quer morar bem e a demanda é grande”, explica.

Além do setor imobiliário, com a construção de prédios habitacionais, a rede de hotelaria e serviços, a construção e ampliação de shoppings, novos restaurantes e bares também tem fomentado a economia do município. “A população ganha muito. No caso dos bares e restaurantes também há, há frequentes promoções. Para a economia é muito importante, sem contara geração de empregos”, finaliza a economista.

Outras cidades da Baixada também estão na lista das melhores cidades para investimentos imobiliários: Duque de Caxias (27º), São João de Meriti (47º ), Belford Roxo (58º) e Nilópolis (93º).

Novo negócio será ecologicamente correto

Queimados também ganhará novos empreendimentos. O primeiro apart-hotel da cidade terá 156 apartamentos, mas a principal característica é sustentabilidade. O Premier Flat utilizará a captação da energia solar para o aquecimento do reservatório de água e terá capacidade para aquecer 250 litros de água por dia. A previsão de entrega está marcada para junho de 2016.

O apart-hotel oferecerá academia, SPA com hidromassagem e sauna, centro de convenções para 147 pessoas, espaço de convivência com bar, academia, foyer, e contará com diversos serviços, entre eles wi-fi em todas as unidades, TV por assinatura, massagem, serviços de beleza e estacionamento rotativo com manobrista para os visitantes. “É uma oportunidade de investimento para empresários e para quem trabalha longe de casa. Quem vem de Barra Mansa, por exemplo, terá o Premier como a primeira opção de hospedagem”, comentou Zonenschein.

Condições de vida não melhoram

Para o secretário de Urbanismo, Meio Ambiente e Habitação de Nova Iguaçu, Giovanni Guidone, a população ganha qualidade de vida com a chegada dos empreendimentos. “A cidade ganha uma melhoria considerável na qualidade de vida da população”. Mas não é o que diz um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea), que apontou que apesar dos investimentos, principalmente no ramo imobiliário, as cidades de Nova Iguaçu e Queimados estão entre as piores em condições de vida da população, levando em consideração o acesso ao saneamento básico, à coleta de lixo, o tempo gasto no trajeto casa-trabalho, mortalidade infantil, acesso à escola, dentre outros aspectos.

Moradores reclamam. “Não sou contra investimentos, mas tem que melhorar principalmente o fornecimento de água”, diz Maria Cristina, 61, de Queimados. “As ruas em Nova Iguaçu estão uma vergonha, todas esburacadas, sem falar nas que nem asfalto tem”, ressaltou Antônio Dias, 52. “Tem lugares que nem saneamento tem. Os governantes só olham para o Centro”, afirma Adlaine Ferreira,31, de Nova Iguaçu. Japeri também integra esta lista.


Reportagem de Aline Cavalcante

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