Progresso para o bem e para o mal

Itaboraí e cidades do entorno do Comperj enfrentam os desafios do desenvolvimento. Com mais arrecadação e empregos, cresce também preocupação com obras de infraestrutura e mobilidade

Por cadu.bruno

Rio - Desde que foi escolhida para sediar o que seria o maior complexo industrial do país, em 2008, Itaboraí recebeu mais de 500 registros de novas empresas. Só nos últimos três anos, a arrecadação do município dobrou, chegando a R$ 647 milhões em 2013. Mas esse crescimento econômico ainda não reflete a realidade de seus 225 mil habitantes e das 50 mil pessoas que entram e saem da cidade diariamente.

Ocupando apenas a 62ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado do Rio de Janeiro, Itaboraí tem pela frente desafios relacionados principalmente a saneamento básico, saúde e mobilidade urbana. O déficit habitacional é de 13 mil unidades. Mais de 90% das ruas não são asfaltadas. Em cada quatro casas, três não têm água na torneira, o que obriga os moradores a recorrer a poços artesianos.

Prefeito de Itaboraí%2C Helil Cardozo diz que os recursos recebidos até agora estão aquém das necessidades. Maior carência é de vagas na rede de saúde Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

Atualmente a prefeitura investe R$ 89 milhões em intervenções de esgotamento sanitário. As obras beneficiam 45 quilômetros de ruas de quatro bairros. Dentro do orçamento, também está prevista a construção de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) no bairro Itambi.

Na saúde, o prefeito Helil Cardozo (PMDB) se mostra preocupado, mesmo após a recente liberação de R$ 15 milhões pelo governo federal para reforma e modernização do Hospital Municipal Leal Júnior. “Nós temos apenas uma unidade emergencial em Itaboraí, que é o Leal Júnior. Isso é grave porque pacientes com plano de saúde, como no caso dos 30 mil funcionários do Comperj, têm que utilizar o serviço público se quiserem ser atendidos numa emergência em Itaboraí. Nossa cidade não conta com um hospital da rede privada sequer”, declarou o prefeito. Apesar da carência, ainda não está prevista a construção de novos hospitais com recursos públicos.

Motorista de ônibus em Itaboraí desde antes do início das obras, Josias Santos, de 36 anos, afirma que o Comperj melhorou a situação de muitas pessoas que tinham que fazer longos deslocamentos para trabalhar. No entanto, ele acredita que a cidade passa neste momento por um crescimento desordenado. “O trânsito na cidade já mudou bastante. Tem bem mais carro, bem mais engarrafamento. Não quero que aconteça aqui o que aconteceu em Macaé ( município que recebeu na década de 70 a base da Petrobras na Bacia de Campos). A cidade já foi tranquila, mas agora tem muitas favelas”, afirma o motorista.

Observatório avaliará demandas da região

Para reduzir os impactos do Comperj, acaba de ser aberto o processo de licitação para a escolha da empresa que desenvolverá o Plano Diretor de Estruturação Territorial do Leste Fluminense, que vai abranger 15 municípios que compõem o Conleste, o consórcio de desenvolvimento da região. O estudo, de R$ 4 milhões, será financiado pela Petrobras.

O PET-Leste estudará o uso de ocupação da área no entorno do Comperj e apontar as intervenções necessárias para garantir o desenvolvimento sustentável de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Tanguá, Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu, Guapimirim, Magé, Saquarema, Araruama, Silva Jardim, Casimiro de Abreu, Nova Friburgo e Teresópolis. O projeto servirá de instrumento de articulação dos municípios junto aos governos estadual e federal para a obtenção de linhas de crédito para futuras obras.

Um observatório regional, gerido pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca (Sedrap), vai acompanhar a implementação do plano. A secretaria espera usar tecnologias de georreferenciamento já disponíveis em sua estrutura para auxiliar no monitoramento da ocupação territorial.

“O objetivo é fazer as prefeituras trabalharem juntas para encontrar soluções para um mesmo problema. Não se sabe o momento em que se sai de uma cidade e entra em outra. Por isso não há como fazer uma política diferente de prevenção para cada uma delas”, explicou o ex-secretário Felipe Peixoto.

Reportagem: Paulo Cappelli

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