Por bferreira

Rio - À primeira vista, pode parecer encantador, mas o “coral-sol”, que mais parece um girassol, está matando corais nativos da costa brasileira e alterando a biodiversidade marinha no Brasil. As empresas Petrobras, Vale e Brasfels são apontadas pelo Ministério Público Federal como as principais suspeitas de trazer esse coral invasor para as águas nacionais. Hoje será feita audiência pública para investigar o papel das companhias na expansão do chamado “coral assassino” no litoral fluminense. Angra dos Reis, Armação dos Búzios, Arraial do Cabo, Mangaratiba, Paraty e Rio de Janeiro são os municípios mais afetados.

Ameaça à biodiversidade%3A a Baía da Ilha Grande é o local onde corais teriam sido introduzidos%2C acidentalmente%2C pela indústria de óleo e gás Reprodução

“Temos diversas evidências de que duas espécies de coral-sol tenham sido introduzidas acidentalmente na Baía da Ilha Grande por plataformas de petróleo e gás. São naturais de Galápagos e do Indo-Pacífico, não daqui”, afirmou Joel Creed, professor associado do Departamento de Ecologia da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Para ele, o organismo se agarra ao casco das embarcações e, assim, chega à costa brasileira. “O coral-sol necrosa os corais naturais do Brasil. Os peixes que se alimentavam desses corais nativos acabam ficando sem comida, e isso afeta toda a biodiversidade”, completa.

Monique Cheker, procuradora da República que convocou as empresas para prestar esclarecimentos, acredita que a audiência de hoje será determinante para o futuro das investigações. “Nós chamamos representantes do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), do Inea (Instituto Estadual do Ambiente), do Instituto Chico Mendes e de outras entidades para confrontar as três empresas. Caso o Ministério Público Federal chegue à conclusão de que Petrobras, Vale e Brasfels são responsáveis por trazer o coral-sol, recomendará aos órgãos estaduais que tomem as devidas medidas judiciais”, explicou.

De acordo com a bióloga marinha Simone Oigman Pszczol, do Projeto Coral-Sol — que remove o coral invasor e o transforma em artesanato —, a única forma de retirá-lo da costa brasileira é de forma braçal. “Desenvolvemos um trabalho ecológico e também social, pois recrutamos pescadores e outras pessoas que queiram complementar sua renda vendendo o artesanato”, afirma.

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