Serra das Araras: obra só no papel

Políticos voltam a se reunir no Sul Fluminense para discutir duplicação de trecho crítico da Via Dutra

Por thiago.antunes

Rio - O contrato de concessão da Rodovia Presidente Dutra, válido até 2021, foi assinado em 1996, mas a duplicação da Serra das Araras, que promete desafogar e trazer mais segurança a um dos trechos mais críticos da via, até hoje não saiu do papel.

A obra, que deveria durar três anos e atualmente está orçada em R$ 1 bilhão, com previsão de gerar pelo menos mil empregos diretos, é tema de mais uma audiência pública no estado. Representantes da Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, da Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTT) e do consórcio Nova Dutra vão se reunir nesta sexta-feira em Piraí, no Sul Fluminense, com prefeitos e vereadores da região para debater o projeto e cobrar agilidade na execução.

Segundo o deputado federal Washington Reis (PMDB-RJ), que convocou a reunião, o Brasil já perdeu R$ 69 milhões nos últimos cinco anos com a falta de investimentos na Via Dutra. O prejuízo se refere aos custos médico-hospitalar, funeral, de danos ao patrimônio, a veículos, entre outros, com acidentes no trecho, considerado de alto risco.

Orçadas em R%24 1 bilhão%2C as obras devem dar mais segurança ao trecho%2C que apresenta alto índice de acidentesErnesto Carriço / Agência O Dia

Para a CCR Nova Dutra, que administra a via, existem três meios para o custeio da obra: o governo cobrir os custos, a concessionária assumir a obra e, em contrapartida, aumentar a extensão da concessão, ou o preço do pedágio ser alterado. Esta última alternativa, no entato, é descartada por parlamentares.

“A duplicação da Serra das Araras é fundamental para garantir segurança aos motoristas e reduzir os engarrafamentos. A pista interliga as duas maiores cidades do Brasil e precisa ser modernizada, sem aumento de pedágio”, ressalta Washington Reis.

Em audiência pública realizada em dezembro de 2013 em Volta Redonda, o deputado federal Hugo Leal (Pros), que também faz parte da Comissão de Transportes da Câmara, defendeu que o custo da obra não pode ser repassado à população. Para ele, o projeto deve ser custeado em parceria com o governo federal, por intermédio do BNDES.

Projeto prevê mais pistas e dois retornos

O projeto prevê a construção de pistas auxiliares, dois pontos de escape, cinco faixas de rolamento, áreas para comércio e a construção de mais dois retornos. A pista de subida também deverá passar por modificações. Estima-se que pela Via Dutra passem cerca de 870 mil veículos por dia, entre Rio e São Paulo. Cerca de 23 milhões de pessoas em 36 municípios, incluindo as duas capitais, habitam o entorno da rodovia.

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