Cidade do Aço em expansão

Com reduzida área territorial, Volta Redonda aproveita cada metro quadrado para crescer

Por thiago.antunes

Rio - Volta Redonda, no Sul Fluminense, vive uma transformação. Quem passa pela Cidade do Aço pode ver a grande quantidade de obras. Os investimentos da prefeitura e do governo do estado estão ligados, principalmente, à mobilidade urbana, como a construção de duas pontes, quatro viadutos, ciclovias e calçadas. O município mais populoso da região (257 mil habitantes, segundo o Censo do IBGE de 2010) é também um dos mais ricos do estado, graças, em boa parte, à presença da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). O PIB per capita da cidde chegava a R$ 35.547 em 2012, segundo o Sebrae.

Este ano, o município passou a ocupar o segundo lugar no ranking estadual dos que mais se desenvolvem no estado, nos indicadores de Saúde, Emprego e Renda e Educação. Mas o crescimento esbarra em um empecilho geográfico: a falta de espaço físico. Com apenas 183 quilômetros quadrados, a terceira menor cidade do estado em extensão territorial possui 1.413 habitantes por km².

A Cidade do Aço parece um grande canteiro de obras%3A projetos de mobilidade urbana dão nova cara ao município e atraem os investidoresDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Apesar disso, dois parques industriais estão sendo contruídos para abrigar 50 empresas — um de 100 mil metros quadrados na Rodovia dos Metalúrgicos (VRD-01), a menos de um quilômetro da Presidente Dutra, e outro no bairro Roma, com 70 mil m². O primeiro terá capacidade para 30 empresas e o segundo, 20.

“Temos dificuldade em arrumar espaço físico para mais investimentos, mas mesmo assim vários projetos estão acontecendo. O Parque Empresarial João Pessoa Fagundes, por exemplo, que fica na Rodovia dos Metalúrgicos, já tem 50 empresas interessadas em se instalar, mas temos capacidade apenas para 30. A licitação vai cumprir todas as exigências legais. Será um processo transparente, em que as empresas serão escolhidas por critérios exclusivamente técnicos”, afirmou o prefeito Francisco Neto (PMDB).

Segundo ele, as organizações que se instalarem na cidade não vão pagar pelo espaço. Receberão uma concessão por dez anos, com possibilidade de renovação pelo mesmo período. Neto afirmou ainda que a prefeitura garante a isenção de IPTU, além de negociar com os empresários e o governo estadual empréstimos para implantação de investimentos na cidade. Em contrapartida, as empresas deverão atender às exigências municipais, que vão levar em conta desde quesitos ambientais até a geração de emprego.

Elias%2C mestre de obras%2C festeja trabalho no novo parque industrialDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Empresas se instalam

Algumas empresas começam a se instalar nos Parque Industrial João Pessoa Fagundes. Já existe um acordo firmado entre a prefeitura e as companhias de alimentos Maricota e Villefrut, a distribuidora Caite e a Fast Broker, escolhida pela Nestlé para cuidar de suas vendas, logística e distribuição dos produtos da multinacional na região.

A Fast Broker pretende fazer um investimento de R$ 4 milhões, gerando 150 empregos num primeiro momento, e 300 postos de trabalho dentro de um ano. A empresa deve começar em breve a construção do galpão de 10 mil m².

Prefeito Neto%3A dificuldade é arrumar espaço físico para receber empresasDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Já a Berilo Concreto, que ficava no espaço onde está sendo contruído um shopping, está se mudando para o complexo. “A Berilo está vindo para cá para ficar mais próxima das outras empresas. Esse parque industrial vai gerar muitos postos de trabalho. Só aqui há 50 pessoas na obra. O bom para nós é que sempre tem serviço na cidade. Não ficamos desempregados”, disse o mestre de obras, Elias da Silva, 39.

Empresário monta restaurante para aproveitar crescimento da cidade

Para facilitar o acesso ao parque industrial e melhorar o tráfego na região, o estado está duplicando a Rodovia dos Metalúrgicos. Só nesse trecho, cerca de 40 pessoas estão trabalhando. “Minha situação melhorou bastante. Estava há um ano desempregado e desde o início do mês estou aqui. A obra tem previsão de terminar no início de 2015. Até lá, minha renda está garantida”, disse o ajudante de obra, Luciano Magalhães, de 23 anos.

Há dois anos e meio Dehon Gomes, 34, construiu seu restaurante à beira da estrada pensando no desenvolvimento da cidade. “Arrisquei e agora espero colher os frutos de todo esse investimento que fiz. Com a duplicação da rodovia, tenho certeza que o movimento aqui vai aumentar”. De olho no aumento do público, Magno de Freitas, 65, começou a reformar e modernizar seu hotel. “Volta Redonda é um polo. Com certeza esse investimento todo vai interferir no setor hoteleiro”, explicou.

Reportagem de Eduardo Ferreira

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