Por thiago.antunes

Rio - Em um ano e meio, a população de Barra do Piraí teve duas eleições municipais e assistiu, atônita, a quatro trocas de prefeitos. A “dança das cadeiras” deixa os moradores perdidos e gera instabilidade que prejudica a atração de investimentos para a cidade de 171 mil habitantes no Sul Fluminense, a 130 quilômetros do Rio. “A situação é péssima. Nenhum prefeito se estabiliza. É ruim para o povo da cidade. Infelizmente, nós não sabemos o que vai acontecer. O município, que quase não recebe investimento, vai sendo deixado cada vez mais de lado”, disse o produtor rural, José Monçores, de 60 anos.

Após uma batalha judicial, Maércio Fernando Oliveira de Almeida (PMDB) reassumiu o cargo no dia 9, graças a recurso obtido junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Eleito, em 2012 com 53% dos votos, ele foi cassado por abuso do poder político e uso indevido dos veículos de comunicação.Desde agosto de 2013, a cidade era governada por Jorge Babo (PPS), escolhido em eleição suplementar com 56% dos votos.

Comerciante, Romero Leite, 64, espera que a partir de agora a cidade volte ao ritmo normal. “Essas trocas de administrações alteraram o bom funcionamento de Barra do Piraí e prejudicaram o investimento das empresas na região. Agora, temos esperança de mais firmeza no futuro daqui”, ressaltou.

Eleito em 2012 e afastado após governar por quatro meses%2C Maércio disse que gastos estão comprometidos e não pode fazer planejamentoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Já o feirante Genair Luiz de Amorim, 49, alerta para outro aspecto: “Cassaram o Maércio, voltaram atrás e agora ele retorna. Quem paga isso somos nós, trabalhadores. Quanto não foi gasto nesse processo todo?”. Procurado pelo DIA, o TRE não informou como é custeado o gasto com a eleição suplementar.
Para Maércio, todos saem prejudicados. “A intranquilidade e a instabilidade na cidade são enormes. A população fica refém, e o investidor não quer um prefeito hoje e no dia seguinte, outro. Esperamos que isso não aconteça mais para termos condições de trazer indústrias e atrair investimentos”, afirmou.

Segundo o prefeito, até o fim do ano todos os projetos estão parados. “Não temos como apresentar nenhum projeto”, alegou. De acordo com ele, seus projetos são melhorar a infraestrutura, o abastecimento e distribuição de água, além de aumentar o número de unidades básicas de saúde e captar recursos para reformar as escolas. Mas as ideias só vão começar a ser postos em prática em 2015.

Maércio afirma que o orçamento para este ano está comprometido. “Queremos que a cidade volte a sorrir, a crescer e se desenvolva social e economicamente. O nosso planejamento foi por água abaixo. Vamos tentar sanear a prefeitura, limpar a cidade e parte do rio nesse primeiro momento”, disse.

Bom trabalho é o que desejam os moradores de Barra do Piraí. “Espero que haja uma continuidade. A cidade teve um prejuízo, mas agora é bola para frente”, destacou a vendedora da loja Com Trato, Daiane Felipe, 25. Dono de uma banca de jornal, Luiz Henrique, 41, deseja que Maércio fique na prefeitura para a cidade prosperar. “O que aconteceu foi muito ruim para o nosso município. A cidade parou. Creio que a tendência é de que as parcerias com Barra do Piraí aumentem, e a gente possa desfrutar de todos esses benefícios”, afirmou.

Feirante%2C Genair quer saber%3A quem paga a conta da eleição suplementar%3FDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Ex-prefeito faz balanço de gestão

O ex-prefeito Jorge Babo (PPS) garante que deixou a prefeitura com e dinheiro. “Entreguei uma prefeitura com R$ 21 milhões, sem contar R$ 1,6 milhão da folha de pagamento. Quando assumi, havia R$ 17 milhões, ou seja, o Maércio ainda recebeu a prefeitura com R$ 4 milhões a mais após o meu mandato”, afirmou.

Babo citou projetos realizados nos 10 meses de sua gestão: “Criei a estação de tratamento de água, uma UPA, seis postos de saúde, duas creches, uma quadra de esportes, a terraplanagem da rodoviária, além de entregar 600 casas e 1.500 apartamentos pelo programa Minha Casa, Minha Vida”. Outra vitória, segundo ele, é o anúncio da fábrica da Vigor Alimentos, que vai investir R$ 150 milhões e gerar 500 empregos diretos e 1.500 indiretos na cidade. 

O ex-prefeito informou que não vai recorrer da decisão judicial que o tirou do cargo. “A cidade está em um clima muito ruim devido a essa mudança toda. Não vou tentar entrar com liminar”, garantiu.

Governo que durou apenas cinco meses

O troca-troca em Barra do Piraí começou em fevereiro de 2013, quando Maércio foi cassado. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) alegou que houve irregularidades na campanha eleitoral dele e de seu vice, Norival Garcia da Silva Júnior (PV), em 2012. Em maio, eles foram destituídos dos cargos.

O presidente da Câmara Municipal, Expedito Monteiro de Almeida (PRB), assumiu. O TRE marcou nova eleição em agosto. O vencedor foi o candidato da coligação PPS/PTdoB/PSDB, Jorge Babo. Após decisão do TSE favorável a Maércio, a Justiça Eleitoral de Barra do Piraí anulou a cassação e a inelegibilidade, mas decidiu manter Babo no cargo. A decisão foi revertida no início de julho pelo TSE, que determinou novamente a diplomação e posse de Maércio e seu vice.

Reportagem de Eduardo Ferreira

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