Feira ajudará polo de Friburgo a recuperar queda nas vendas

Confecções de moda íntima esperam compradores do Brasil e exterior na 24ª Fevest

Por thiago.antunes

Rio - As confecções do maior pólo de moda íntima do país apostam na Fevest para recuperar as vendas que chegaram a cair cerca de 50% durante a Copa do Mundo, em relação ao mesmo período do ano passado. A 24ª edição da Feira Brasileira de Moda Íntima, Praia, Fitness e Matéria-Prima, que começa no próximo domingo, em Nova Friburgo, espera atrair compradores de vários estados e de outros países, como Itália e Estados Unidos.

No bairro Ponte da Saudade, que concentra boa parte das lojas de fábrica de Nova Friburgo, a queda é sentida por empresários e profissionais. O Sindicato das Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo e Região (Sindvest) confirma a queda nas vendas e aposta na recuperação com a Fevest.

No bairro Ponte da Saudade%2C que concentra a maior parte das confecções de Friburgo%2C a queda nas vendas chegou a 50% entre junho e julhoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

“Nos meses de junho e julho as vendas caíram muito devido à crise econômica que assola o país. Estou há oito anos no ramo e nunca vi isso. Foi cerca de 50% a 60% menos”, disse Maria do Carmo, 40 anos, gerente há dois da loja Íntima Demais. Segundo ela, sacoleiros de São Paulo e Espírito Santo, que representavam mais de 50% das vendas, sumiram. “Esse ano, para se ter uma ideia, há mais pessoas que passam por aqui e compram do que sacoleiros”, disse. A loja emprega três pessoas e vende pijamas, lingerie e roupa de ginástica.

“Só não sentimos uma queda acentuada nos negócios porque também temos foco nas exportações”, disse o empresário Paulo Chelles, dono da De Chelles, que produz moda íntima e moda praia. Cláudia Quintanilha, 29 anos, vendedora da De Chelles há seis, diz que as exportações não caíram, mas as vendas para outros estados e na loja, sim. A loja vende principalmente para o Rio, Minas, Espírito Santo, São Paulo, além do Sul, e exporta para Estados Unidos, Europa, Ásia e África. Apesar da queda no movimento, não houve demissões — a loja emprega sete funcionárias.

Maria do Carmo%2C gerente da Íntima Demais%3A queda causada por criseDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Feira é oportunidade para desenvolvimento local

Coordenadora de eventos do Sindvest, Rita Tardene diz que houve muitos obstáculos este ano, que atrapalharam as vendas na região, porém, a expectativa para a feira é a melhor possível. “Pretendemos nos recuperar. Este é um ano atípico. O país só vai ter essa feira no setor. Não houve o salão de moda em São Paulo nem a feira de Fortaleza”, disse ela, que também é dona da confecção Tardene.

O prefeito de Friburgo, Rogério Cabral, considera a feira uma ótima oportunidade para o desenvolvimento local. Segundo ele, o pólo de moda íntima traz um crescimento considerável. “Se não tivéssemos esse polo, a cidade estaria muito mal das pernas. Para se ter ideia, mais de 20 mil pessoas trabalham direta e indiretamente nesse setor. Além disso, temos a maior feira de moda íntima do Brasil”.

Cláudia%2C da De Chelles%3A com foco em exportação%2C queda foi menorDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

A Fevest ocupará 12 mil metros quadrados e espera receber 9 mil pessoas até terça-feira. A expectativa é de aumento de 5% nos negócios em relação a 2013, quando movimentou mais de R$ 45 milhões. A maioria dos compradores deve vir do Rio, São Paulo, Ribeirão Preto (SP), Campinas (SP), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e Joinville (SC).

Espaço Senai de Moda abre 190 vagas

O novo Senai Espaço da Moda, que será inaugurado domingo em Nova Friburgo, está com inscrições abertas para mais de 190 vagas em cursos para costureiras e outros profissionais do setor. As aulas começam este mês. 

O local terá ainda salas para o Conselho da Moda e para os sindicatos, exposições, palestras, oficinas, laboratórios, consultorias e workshops para os empresários, além de auditório, biblioteca e materioteca, local que concentra os principais lançamentos têxteis. De acordo com o Sistema Firjan, as exportações de moda íntima do estado cresceram 19% de 2012 (US$ 2,7 milhões) para 2013 (US$ 3,2 milhões), enquanto as exportações do segmento no Brasil caíram 7%, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

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