Rio - Depois de Itaboraí, é a vez de São Gonçalo. A cidade vai ganhar a segunda clínica-escola do autista do país. De acordo com a prefeitura, 1% da população do município é autista, o que significa uma média de 10 mil portadores da síndrome. “É um número considerável. Vamos beneficiar esses gonçalenses, além de seus familiares, pois esta doença afeta toda a família”, destacou o prefeito Neilton Mulim.
O município não divulgou quando o serviço deve começar a funcionar e ainda estuda a capacidade de atendimento, mas famílias de autistas já comemoram. “Este sempre foi um sonho nosso porque a gente se desloca muito para conseguir levar nossos filhos a cada especialista. Agora poderemos ter todos os atendimentos no mesmo local”, disse a bióloga Eloah Antunes, 46 anos, que abandonou a carreira para cuidar do filho, com 12 anos.
A clínica será instalada em um imóvel abandonado há cinco anos, onde funcionava uma creche, no bairro Maria Paula. O espaço contará com equipe multidisciplinar formada por pedagogos, professores, psicopedagogos, recreadores e inspetores cuidadores, e oferecerá diversos serviços especializados. No dia 1º de abril deste ano, véspera do Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a Prefeitura de Itaboraí inaugurou a primeira clínica-escola para autistas do Brasil.
O espaço atende à luta do Movimento Família Azul, liderado por Berenice Piana di Piana, mãe de um jovem autista, de 19 anos. Foi ela quem inspirou a lei federal 12764/12, que assegura a matrícula de autistas na rede regular de ensino. Segundo o movimento, hoje em Itaboraí e região existem cerca de três mil autistas, no Rio são 180 mil e no Brasil, dois milhões.