Comperj alavanca empregos no estado

Micro e pequenas empresas em Itaboraí e São Gonçalo são as que mais contratam no primeiro semestre

Por thiago.antunes

Rio - Enquanto no Brasil inteiro a geração de empregos caiu nos primeiros seis meses do ano em relação ao ano passado, no Leste Fluminense, impulsionado pela chegada do Comperj, os números não param de subir, principalmente nas micro e pequenas empresas (MPEs). No acumulado de janeiro a junho de 2014, a região é a principal criadora de postos de trabalho em MPEs, com saldo de 6.186 do total de 20.263.

Na contramão desses números, como reflexo da Copa do Mundo no Rio, a Região dos Lagos registrou um saldo negativo, ao fechar 176 postos de trabalho nesse período. Os dados são de um estudo realizado pelo Sebrae-RJ sobre a geração de empregos formais, a partir dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

“São Gonçalo e Itaboraí estão ganhando com a chegada do Comperj. Macaé colhe os frutos da indústria do petróleo. Já Búzios sofre com a queda no turismo, principalmente no período da Copa, em junho. Volta Redonda foi prejudicada pela retração do setor automotivo e Niterói sofre com uma estagnação na economia”, explicou Cezar Kirszenblatt, gerente de Conhecimento e Competitividade do Sebrae-RJ.

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Localizada em Itaboraí, a empresa Soluções de Proteção do Meio Ambiente, que trabalha com produtos e serviços para resíduos líquidos, tratamento de água, esgoto e afluentes está contratando mais pessoas. “Estamos há 13 anos no mercado e estamos expandindo ampliando nosso contingente. Em janeiro, tínhamos seis funcionários e hoje contamos com 10. Trabalhamos com empresas como Petrobras, Supervia, além de industrias do setor alimentício e estamos contratando para melhor atendê-las”, disse a gerente Carolina Brito, de 27 anos.

Há 10 anos no mercado de São Gonçalo, a Máxima Segurança do Trabalho, Medicina Ocupacional e Segurança do Trabalho também é um exemplo de empresa que está gerando postos de trabalho este ano.

“Praticamente dobramos nosso quadro de funcionários. Aproveitamos a parada para a Copa do Mundo para nos prepararmos para o mercado e não nos surpreendermos quando tudo voltasse ao normal. Tínhamos nove e agora contamos com 16 trabalhadores”, frisou a gerente administrativa Marcely Monteiro, de 29.
Kirszenblatt enalteceu a importância das micro e pequenas empresas para o país.

“As MPEs fizeram a diferença na geração de empregos em junho de 2014 e evitaram, no Brasil e no estado do Rio, que o saldo fosse negativo. Nesse período, o Brasil foi responsável pela geração de 48.016 novos empregos contra o fechamento de 24.201 empregos pelas médias e grandes empresas.”

Pequena emprega, grande dispensa

Nas MPEs do estado, o saldo acumulado de janeiro a junho foi de 20.263 postos de trabalho. Em uma análise das MPE por municípios, atrás da capital, São Gonçalo, com 3.486; Itaboraí, com 2.468 e Macaé, com 1.297, são as primeiras cidades que apresentam as melhores taxas. Os piores saldos foram os de Búzios, com queda de 470; Volta Redonda, que caiu 226, e Niterói, que teve retração de 187. Em junho, os melhores saldos de emprego foram os de Campos dos Goytacazes (531), Macaé (448) e Itaboraí (416). Os piores foram registrados em Teresópolis (-102), Búzios (-92) e Niterói (-77).

No mês de junho, houve saldo positivo de 5.390 empregos, resultado 31% inferior ao de junho de 2013, quando o saldo foi de 7.831 empregos. As MPEs foram responsáveis pela criação líquida de 6.528 empregos — nos setores de serviços, construção civil e agropecuária principalmente —, enquanto as médias e grandes empresas (MGEs) reduziram 1.120 postos de trabalho.

No acumulado do ano, de janeiro a junho, a criação líquida de empregos foi de 25.193, valor 6% menor do que no mesmo período de 2013. Técnicos do Sebrae-RJ e micro e pequenos empreendedores afirmam que, apesar da crise econômica brasileira, há um aumento do número de negócios, que está resultando na criação de postos em trabalho. “A maior demanda é em Itaboraí e São Gonçalo. Niterói já não registra esse mesmo aquecimento”, diz o coordenador da Regional Leste Fluminense do Sebrae-RJ, Américo Diniz.

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