Turismo a preço baixo sustenta relíquia de Barra Mansa

Cenário de novelas, Fazenda de café Santana do Turvo, de 1809, já teve 700 alqueires e hoje tem 70, com pasto para gado

Por adriano.araujo , adriano.araujo

Rio- Barra Mansa é uma cidade agitada do Sul Fluminense, com vocação assumida — e bem sucedida — para a indústria. O café deixou de herança construções coloniais irresistíveis, um potencial turístico ameaçado pela falta de recursos. Com dificuldades para manter uma das relíquias, a Fazenda Santana do Turvo, de 1809, o empresário João Luiz de Carvalho decidiu fazer dinheiro em vez de chorar pelas despesas. Há 12 anos, aluga quartos do casarão aos fins de semana e abre restaurante e piscina a visitantes.

Cenário de várias novelas de época%2C a Fazenda Santana do Turvo%2C de 1809%2C hoje fatura com o turismo ruralAziz Filho / Agência O Dia

A fazenda de café já teve 700 alqueires e hoje tem 70, com pasto para gado. Luiz conta que a comprou de Lily de Carvalho Marinho em 1994. No mesmo ano, o edifício-sede de sua empresa, Mercado das Tintas, em Volta Redonda, foi destruído por um incêndio, e tudo começou a desandar.

Construída por escravos%2C Igreja Nossa Senhora do Amparo precisa de obraAziz Filho / Agência O Dia

“Muitas novelas foram gravadas aqui, como 'A Escrava Isaura'. Eu comprei a fazenda para curtir, mas ficou impossível manter tudo. Se eu não tivesse aberto a visitação, ela teria entrado em decadência como as outras”, diz o dono.

A atividade rural já não rende tanto para sustentar as belas estruturas. “Fiz quatro reformas em 20 anos. A casa tem 12 quartos e nenhuma trinca”, orgulha-se Luiz. Só a manutenção da casa fechada custaria, segundo ele, no mínimo R$ 4 mil por mês. Os preços para visitar a Santana do Turvo são convidativos: almoço com comida caseira a R$ 15 e diárias com três refeições a partir de R$ 150. Telefone para reserva: (24) 3348-0655 e (24) 9239-2017.

A fazenda fica a três quilômetros do povoado formado em torno da Igreja Nossa Senhora do Amparo, erguida por escravos em 1865 e, por incrível que possa parecer, em péssimo estado de conservação. O centro de Barra Mansa também tem relíquias dos tempos da riqueza, como a estação ferroviária e o Palácio de Guapy, ambos de 1857. Contemplá-los é embarcar no túnel do tempo.


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