Rio - Em São João da Barra, onde deságua o Rio Paraíba do Sul, a população sofre com as torneiras secas por conta da “língua salina”. O fenômeno é causado porque a água do mar invade o rio, que está com volume muito baixo, salinizando a água. Para evitar que a população consuma água salobra, a Cedae suspende a captação e a distribuição.
O problema se intensificou com o agravamento da seca que atinge o Rio Paraíba do Sul. O presidente da Câmara de Vereadores, Aluízio Siqueira (PMDB), disse que desde que a estiagem começou, há cerca de cinco meses, a cidade já ficou várias vezes sem água. Em uma delas, quase 48 horas seguidas, por causa do problema da salinização. “Aqui ainda não estamos igual ao Estado de São Paulo, mas o rio que abastece a cidade está bastante prejudicado. Em 80 anos é a maior seca, o menor nível que o rio já apresentou.
Atualmente, a profundidade deve estar em dois metros, sendo que neste período, o normal é 3,80”, disse ele, que chegou a convocar audiência pública para discutir o assunto em setembro. Para garantir o funcionamento de escolas e postos de saúde no distrito de Atafona, a prefeitura passou a oferecer caminhões-pipa no transporte de água proveniente de poços artesianos do distrito de Pipeiras.
“Disponibilizamos também os poços para que a Cedae faça captação para atender à rede de abastecimento da sede do município”, disse o secretário de Meio Ambiente e Serviços Públicos, Marcos Sá. Outra alternativa foi oferecer caixas d’água distribuídas pelo município e abastecidas pelos carros-pipa.
De acordo com a Cedae, a cidade teve o abastecimento afetado durante algumas horas em alguns períodos deste mês devido a problemas no fornecimento de energia elétrica e ao aumento do nível do mar, que provoca o fenômeno da “língua salina”. “Isto forçou a companhia a interromper por algumas horas a captação de água para tratamento, e quando o abastecimento é interrompido, alguns trechos levam até 48 horas para ter o fornecimento de água normalizado (como ruas mais altas)”, diz a autarquia, em nota.
MPF: acordo prejudica Rio
De acordo com o Ministério Público Federal, São João da Barra é o primeiro município fluminense prejudicado pelo acordo celebrado entre a União e os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que resultou na diminuição do volume de água que chega ao estado. Em setembro, o MPF pediu a decretação de estado de calamidade pública na região banhada pelo Rio Paraíba do Sul pelos próximos dois anos.
Coordenador de Defesa Civil do município, Adriano Assis garantiu que escolas e postos médicos não serão fechados por causa da língua salina. “A invasão de água salgada no sistema de abastecimento é recorrente, porém, a nossa demanda está sendo suprida. Já existe um poço artesiano que abastece parte da sede do município no período em que é paralisada a captação pela Cedae.”
Segundo ele, devido ao baixo nível do rio e quando a água invade a rede, cerca de 5 a 10 mil pessoas do distrito de Atafona e parte da sede do município são afetados diretamente pela falta de água. “Algumas pessoas, as que não têm em casa cisternas ou poços artesianos, consequentemente ficam sem água de duas a três horas. Estamos levando para esses locais alguns caminhões pipas para suprir o problema”. A Cedae orienta moradores com problemas de abastecimento que entrem em contato com a companhia, informando endereço completo para o envio de técnicos.
Colaborou Vinícius Amparo