Por nicolas.satriano

Rio - Apelidada de água benta, abrideira, “marvada”, birita, mé ou purinha, a bebida mais popular do país, que produz atualmente 800 milhões de litros, segundo o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), é considerada hoje patrimônio gastronômico. E acabou internacionalizada graças à ‘caipirinha’, bebida favorita de pelo menos nove entre dez turistas estrageiros que visitam o Rio.

No Dia Nacional da Cachaça, lembrado hoje, 12 representantes de marcas famosas produzidas no estado têm um motivo a mais para brindar: foram selecionados para a terceira edição do Prêmio Maravilhas Gastronômicas do Rio (Maravilhas RJ).

Engenho da Cachaça Paratiana é um exemplo de como os produtores estão avançados em instalaçõesDivulgação / Fair Play Assessoria

Os participantes, que desconhecem a palavra crise — só em 2014 o Brasil exportou dez milhões de litros para 66 países, gerando receita de R$ 70 milhões — são produtores de diversas regiões do estado. A votação para escolher a cachaça que melhor representa o Rio está aberta ao público até o dia 31 de outubro pelo site:www.projetomaravilhas.com.br.

Vencedor no ano passado, o empresário Eduardo Mello quer repetir o feito. “A Cachaça Coqueiro busca o seu segundo título. Para isso, contamos mais uma vez com o seu voto”, apela nas redes sociais, propagandeando o mais tradicional alambique de Paraty, no Sul Fluminense.

Na cidade, que é sinônimo de cachaça até em letra de música (“em vez de tomar chá com torrada, ele tomou Paraty”), há várias gerações sua família produz cachaça sem envelhecimento (prata), a envelhecida entre 12 e 24 meses em tonéis de amendoim e carvalho (ouro) e a destilada em folhas de tangerina (azulada), além de licores.A marca é a segunda do país, ao lado de Salinas (MG), a possuir o certificado de Identificação Geográfica de Procedência do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

João Luiz Faria, proprietário da Magnífica, produzida na Fazenda do Anil, na divisa de Vassouras com Miguel Pereira, também está otimista com sua reserva Soleira. “São 20 anos de tradição. Nosso sucesso é tão grande que estamos fechando exportação para a Alemanha e Inglaterra. Vamos dobrar a produção anual de 500 mil litros”, alardeia. Faria lamenta apenas o fato de os negócios internos sofrerem com uma facada de 42% de impostos: “Está sendo mais negócio vender para outros países do que internamente.

Concorrentes tipo exportação

O páreo entre as melhores cachaças é duro. Além da Coqueiros e da Magnífica, estão na disputa, com a mesma qualidade de nível internacional, as marcas Soledade Ipê (Nova Friburgo), Da Quinta (Carmo), Carvalho Mono, do Petisco da Vila (Rio de Janeiro), Reserva do Nosco (Resende), Paratiana Ouro (Paraty), Santa Rosa Intense (Valença), Sete Engenhos Cerejeira (Quissamã), Werneck Prata (Rio das Flores), Sinhá Brasil Premium (Sumidouro) e Engenho D'Ouro (Paraty).

O voto pela internet terá peso três no concurso e a avaliação dos consultores, sete. Vence a que obtiver maior pontuação da média ponderada entre os votos populares e voto especializado.

Segundo o jornalista e documentarista Dirley Fernandes, do blog ‘Devotos da Cachaça’, do ‘Dia Online’, reza a lenda que a regente de Portugal Luisa de Gusmão decretou a liberação da bebida em 13 de setembro de 1661, após 12 anos de proibição. Mas ele admite que não há fonte que confirme tal história. Avesso a esse pequeno detalhe, aconselha: “Pelo sim, pelo não, um brinde neste domingo é o mais recomendável”.


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