Sem dinheiro, prefeito reduz salários e dispensa 300 terceirizados em Itaguaí

Weslei Pereira (PSB) quer tirar a cidade do vermelho com medidas duras que incluem cortes salariais e demissões

Por nicolas.satriano

Rio - O esvaziamento econômico provocado por cortes em investimentos federais e a desaceleração de atividades de grandes indústrias, mostrado em reportagens do DIA no domingo e na segunda-feira, afetou a arrecadação da antes próspera Itaguaí. Com um rombo de R$ 275 milhões previstos para o orçamento deste ano, que deve fechar com R$ 480 milhões, o prefeito Weslei Pereira (PSB) quer tirar a cidade do vermelho com medidas duras que incluem cortes salariais e demissões.

“A crise internacional influenciou a captação do ISS (Imposto Sobre Serviço)”, conta Weslei, que assumiu a prefeitura há sete meses, após um escândalo político que culminou na cassação de seu antecessor, Luciano Mota (PSDB), por desvio de verbas públicas. A cidade também sofreu uma queda de arrecadação do ICMS. “Estamos em meio a uma retração. Temos um desfluxo de caixa”, explica o novo prefeito, que é economista e soma cada centavo para conseguir fechar as contas do município.

Weslei Pereira anunciará novos cortes nos próximos dias para reduzir a folha em mais R%24 2%2C4 milhõesEstefan Radovicz / Agência O Dia

Ele já fez uma redução de 30% no seu salário, 15% nos dos secretários e 10% nos de subsecretários. Recentemente, demitiu cerca de 300 pessoas, o que levou a uma paralisação de servidores. Weslei garante que saúde e educação não sofrem e nem sofrerão com os cortes, apesar de ter dispensado funcionários terceirizados das duas áreas e planejar novas demissões para esta semana — ele aguarda os secretários definirem o efetivo em cada pasta.

Para organizar a casa, Weslei cortou as dobras e aumentou a carga horária dos professores de 30 para 40 horas semanais. “Mesmo com o aumento de salário que tiveram, ainda é um gasto menor do que pagávamos com as dobras”, conta Weslei, ao afirmar que a prioridade de sua gestão é garantir os serviços públicos e pagar as contas em dia. Para enfrentar a crise, ele elaborou um pacote com 18 medidas. Entre elas, está o pedido à Câmara para antecipação de royalties. A prefeitura prevê receber até R$ 2,9 milhões mensais, sendo R$ 400 mil referentes só ao parcelamento de dívidas junto ao INSS.

Outra meta é reduzir a folha de pagamento dos atuais R$ 18,8 milhões (queda de R$ 3,6 milhões em relação a setembro) para R$ 16,4 milhões até dezembro. Hoje são 8.300 servidores e os novos cortes ainda não foram fechados. Uma campanha para racionalizar gastos com luz, telefone e água também está em curso. Outra medida importante é a revisão do zonamento do município e do Código Tributário, que permitirão atrair novas empresas a partir de 2016.

Novos projetos incluem cidade

O prefeito diz que o município possui localização geopolítica privilegiada e forte potencial de crescimento econômico, mas reconhece que é preciso um melhor planejamento para que os investimentos sejam mais diversificados e menos dependentes dos projetos de grande porte. “Precisamos apostar no crescimento sustentado e não num ‘boom’ passageiro, como ocorreu no passado”, afirma Weslei.

Apesar disso, a cidade espera se beneficiar do recém-lançado Programa de Investimento em Logística (PIL), do governo federal, que prevê a duplicação da Rio-Santos entre Itacuruçá e Mangaratiba, uma nova ligação ferroviária com o Espírito Santo e a concessão de uma área do Porto de Itaguaí, que ganharia maior capacidade. Há ainda um projeto da Agência Nacional de Aviação Civil para transformar a vizinha Base Aérea de Santa Cruz em aeroporto de passageiros, o que também beneficiaria a cidade. Outra esperança é que o Porto Sudeste — projeto concluído de Eike Batista, ainda sem operar — “decole”.

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