Celso Cunha presidente da ABDANDivulgação
Os atuais reatores nucleares utilizam apenas uma fração da energia disponível no urânio. Mas novas tecnologias, como os reatores rápidos e os ciclos fechados de combustível, prometem multiplicar exponencialmente essa eficiência. Quando se considera ainda a abundância de tório e o estoque global de urânio empobrecido, torna-se evidente: temos combustível para milênios.
Mais limpa que o sol?
Segundo o IPCC, a energia nuclear emite menos carbono por quilowatt-hora do que a solar fotovoltaica ao longo de todo o ciclo de vida. Além disso, sua pegada territorial é irrisória. Uma única usina pode produzir energia equivalente a milhares de hectares ocupados por painéis solares ou turbinas eólicas.
Essa alta densidade energética, combinada com confiabilidade 24/7, torna a nuclear um complemento indispensável às fontes intermitentes, especialmente em um cenário de crescente demanda por eletricidade, impulsionada por digitalização, data centers e inteligência artificial.
O mundo já entendeu
A União Europeia recentemente incluiu a energia nuclear em sua taxonomia verde, o que abre caminho para investimentos sustentáveis no setor. França, Canadá, Estados Unidos e Japão têm apostado pesado em reatores modulares (SMRs), enquanto a China lidera em quantidade de projetos em desenvolvimento.
No Brasil, a retomada de Angra 3, o avanço dos estudos sobre SMRs e o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) demonstram que o setor está pronto para crescer, desde que haja clareza regulatória, planejamento e vontade política.
Uma atualização necessária
Reconhecer a energia nuclear como renovável, mesmo que sob a definição de “renovável estratégica”, é essencial para garantir sua elegibilidade em políticas de incentivo e créditos verdes, atrair novos financiamentos, inclusive com taxas diferenciadas, quebrar preconceitos ideológicos e popularizar o debate sobre o setor. Além disso, essa atualização conceitual ajuda a acelerar a integração da fonte nuclear em estratégias reais de transição energética, assegurando que o Brasil e o mundo contem com uma matriz elétrica mais limpa, segura e resiliente.

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