Antônio Geraldo da SilvaDivulgação

Recentemente, em meio a uma pesquisa sobre métodos de organização pessoal, deparei-me com a técnica Pomodoro. Criada na década de 1980 pelo italiano Francesco Cirillo, então um jovem universitário, a proposta surgiu a partir de uma experiência doméstica: ele utilizava um cronômetro de cozinha em formato de tomate (daí o nome pomodoro, que significa “tomate” em italiano) para medir ciclos de estudo. Quatro décadas depois, seu método é debatido em todo o mundo, inclusive aqui, no jornal mais querido do Rio de Janeiro. Parabéns, Francesco. Você conseguiu.

A técnica propõe que se mantenha o foco absoluto em uma tarefa por 25 minutos, seguidos de uma pausa breve de 5 minutos. Após quatro ciclos consecutivos, recomenda-se um intervalo mais longo, de 15 a 30 minutos. O objetivo? Aumentar a produtividade e combater a procrastinação por meio de uma estrutura simples, mas eficaz.

Confesso que ainda não a testei, mas considero valiosa a ideia de que cada pessoa deve encontrar o método que melhor se adapta à sua forma de se concentrar e produzir.

Autoconhecimento é produtividade aplicada. Lembrei também de outro conceito importante: o ócio criativo, formulado em 1995 pelo sociólogo italiano Domenico De Masi. Seu livro homônimo foi um fenômeno editorial no Brasil. Para De Masi, o tempo de lazer ou o “ócio” pode ser motor para a criatividade e a inovação.

Em sua visão, o descanso consciente é tão relevante quanto o trabalho intenso. Pausas não são luxo, são estratégia.

Mas este texto não é, essencialmente, sobre Cirillo, nem sobre De Masi. Tampouco é uma defesa de métodos específicos. Este texto é sobre você. Sobre o que podemos aprender com essas abordagens e como aplicá-las à nossa realidade. O que ambas nos ensinam é que o equilíbrio é indispensável e, frequentemente, negligenciado. Costumo dizer aos meus pacientes que o equilíbrio é a espinha dorsal de qualquer tratamento. É o que sustenta o cuidado, a saúde e a continuidade dos nossos projetos. Vivemos tempos acelerados. Somos cobrados por desempenho, conectividade e resultados.

Eu mesmo sou um homem do nosso tempo, envolvido em muitos projetos e apaixonado pelo que faço. Mas aprendi, não sem esforço, que as pausas são tão importantes quanto os momentos de entrega total. Elas nos renovam, organizam os pensamentos e fortalecem nossa saúde mental.

E você? Tem feito pausas? Tem olhado para si com gentileza?

Para cultivar uma vida equilibrada, saudável e significativa, é preciso valorizar os momentos de respiro, no trabalho, nas relações e até nos pensamentos. Dê um tempo. Escute uma música. Caminhe sem pressa. Inspire fundo. Não existe uma fórmula universal: cada um de nós precisa descobrir sua própria métrica de produtividade e bem-estar.

Afinal, mais do que fazer muito, queremos fazer sentido.

Foque em quem você é, e no que verdadeiramente importa.
Antônio Geraldo da Silva é presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria