A recente megaoperação no Complexo do Alemão e da Penha rendeu muita discussão, provocando reações diversas tanto de quem concordou quanto daqueles que condenaram. A imagem de cerca de 70 corpos lado a lado correu o mundo, o que sempre causa manifestações sobre direitos humanos. Entretanto, numa guerra, como a que vivemos no Rio de Janeiro, são inevitáveis as baixas, especialmente daqueles que, à margem da lei, buscam enfrentar o Estado Constituído. Para retomarmos os territórios, novas incursões devem acontecer e o quanto antes, sempre, é claro, com planejamento e cautela, como ocorreu, sem nenhuma baixa de civis inocentes.
Segundo relatório do setor de inteligência da Polícia Militar, o Comando Vermelho atua em 70 dos 92 municípios do Estado do Rio. O levantamento aponta todas as comunidades em que há atuação de grupos criminosos de forma estruturada. Dos 1.648 locais mapeados no estado, 1.036 (62,8%) são controlados pelo CV; 340 (20,6%) pelo TCP; 229 (13,9%) pela milícia; e 43 (2,6%) pelo ADA. O levantamento também revela que há somente 15 cidades onde não há o domínio consolidado de algum grupo criminoso. Isso é inadmissível para um estado e uma cidade que já foi a capital do país. Passamos do tempo de traçar estratégias para retomar esses territórios.
As operações devem continuar e serem intensificadas, tendo começo, meio e fim, ou seja, sendo finalizada com a retomada integral do território. Precisamos vencer essa guerra. O risco daqueles que fortemente armados vão para a mata ou o confronto com as forças de segurança é grande como em qualquer guerra. Só foi e será atingido ou morto aqueles que afrontarem o estado, como aconteceu recentemente, muitos deles camuflados e com armas de guerra para abater policiais.
Segundo a polícia, 95% dos suspeitos mortos na megaoperação tinham ligação comprovada com o CV. Cerca de 60 tinham mandados de prisões pendentes. Sim, eles são vidas humanas, mas optaram em ficar do lado do mal e, ao enfrentarem o Estado, assumiram o risco de morrer.
Vidas perdidas são sempre algo a se lamentar numa sociedade. Imagine se colocássemos as vítimas inocentes da violência do Rio, dentre elas crianças, lado a lado. Somente em 2025 seriam mais de 40 corpos. E se somássemos os últimos anos seriam incontáveis. Todas as vítimas dessa guerra promovida por essas facções criminosas.
Não há paz se não enfrentarmos a guerra. Discutir por que e como chegamos até aqui já não adianta. Precisamos, enquanto é tempo, reverter essa situação. A guerra continua e espera-se que as operações também.
Marcos Espínola é advogado criminalista e especialista em segurança pública
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