Oi, gente! A temporada de sol está aberta e nossas cidades começam a receber aquele movimento intenso de turistas. É uma época linda, que movimenta a economia, mas que me faz refletir sobre algo que nem sempre ganha as manchetes. Muito se fala sobre o direito à cidade, à mobilidade e à habitação, mas quase não conversamos sobre o artigo 6º da nossa Constituição, que garante o direito ao lazer.
Pouco se fala disso, mas o lazer não é supérfluo, é saúde. A nossa Constituição coloca o lazer no mesmo patamar da educação e da segurança, e faz todo sentido. Uma cidade não pode ser apenas um lugar de passagem entre a casa e o trabalho. Ela precisa ser um espaço de encontro, de respiro e de convivência. Garantir o acesso à cultura e ao esporte é investir diretamente no bem-estar cidadão, na saúde mental da população e até na prevenção da violência.
Além disso, o lazer não pode ser uma coisa dos privilegiados. Quem tem recursos, viaja ou paga clubes privados. Mas e a grande maioria? A gestão pública tem o dever de equilibrar essa balança. As pessoas que trabalham o dia inteiro, que enfrentam transporte cheio e contas apertadas, são as que mais precisam de eventos gratuitos e espaços de qualidade para curtir a vida com dignidade. Promover o lazer gratuito é uma forma poderosa de transformação social.
Quando assumi a Prefeitura de Saquarema, encarei de frente esse desafio. O Carnaval, por exemplo, era apenas um feriado onde as pessoas viajavam, sem nada que realmente reunisse a nossa gente. Percebi que precisávamos transformar a cidade em um espaço receptivo para todos, não só para quem vem de fora. Foi assim que iniciamos um dos projetos que mais me orgulha: o "Uma Praça para Todos". A lógica era descentralizar. Levei espaços de convivência de qualidade para dentro dos bairros. Hoje, quando passo por esses locais, vejo famílias comemorando aniversários nos quiosques, fazendo piqueniques e praticando esportes.
Uma cena que sempre aquece meu coração é ver o pessoal da terceira idade, com sua cadeirinha de praia e o cooler, ocupando a praça central da cidade com total liberdade quando há um evento. Isso é impacto social real. Criamos um calendário de eventos que abraçou todo mundo: Gospel, Forró, Religioso, Esportivo e Rural. O nosso Festival de Verão, por exemplo, permite que qualquer cidadão da população de Saquarema se inscreva para aulões e competições gratuitas todo fim de semana. Isso é democratizar a alegria.
E fico muito feliz quando vejo vizinhos dando bons exemplos de que o lazer é uma responsabilidade da gestão. Em São Pedro da Aldeia, o projeto "Domingo, a rua é nossa" tem transformado o centro da cidade. Eles fecham avenidas importantes para que as famílias ocupem o asfalto com patins, bicicletas e skates, com segurança e apoio de profissionais.
Já em Curitiba, o programa "Viva o Sábado" abre as piscinas e quadras dos clubes municipais para a comunidade no fim de semana. Eles entenderam que políticas públicas eficientes são aquelas que colocam a qualidade de vida do cidadão em primeiro lugar, seja na "Rua de Lazer na XV" ou nas atividades adaptadas para pessoas com deficiência.
O lazer é saúde, é segurança e é dignidade. Que mais cidades entendam que governar também é garantir o sorriso no rosto das pessoas. Você tem algum projeto de lazer bacana no seu bairro ou sente falta de espaços assim? Se sim, entre em contato pelas minhas redes sociais que você encontra no meu blog (https://manoelaperes.com.br). Vou adorar conhecer de perto as ideias que podem transformar o nosso dia a dia. Beijo e até a próxima coluna!
Manoela Peres é secretária de Governança e Sustentabilidade de Saquarema, ex-prefeita de Saquarema e Mestre em Administração
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.