Gabriella Rodrigues -Secretária Municipal da Juventude Carioca divulgação
O debate sobre sustentabilidade direciona grandes conferências internacionais como a Conferência das Partes (COP-30), mas é no território, especialmente nas periferias urbanas e favelas, que as soluções mais criativas e consistentes estão emergindo. No Rio de Janeiro, essas respostas vêm justamente das juventudes que conhecem as dores, os potenciais e os limites das suas comunidades. Os jovens têm se preocupado cada vez mais em transformar conhecimento em ação concreta, articulando desenvolvimento local, inclusão social e cuidado ambiental.
Em 2025, a Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal da Juventude (JUVRio), entrega mais uma turma de 400 novos Líderes de Transformação Local do projeto Pacto pela Juventude, iniciativa em parceria com a Unesco, que qualifica cariocas de 15 a 29 anos para realizarem mudanças significativas na realidade dos territórios em que vivem. A formação de líderes comunitários capazes de criar soluções sustentáveis e de impacto social é um ativo poderoso para qualquer cidade que se pretenda resiliente e inclusiva. Enquanto governos debatem metas para 2030, esses jovens já estão entregando resultados mensuráveis: 2.182 ações territoriais, 118 mil jovens impactados e reconhecimento em organizações internacionais. A presença da JUVRio em debates globais, como no Aspen Institute e em agendas do G20 e da ONU, demonstra que o Rio não apenas acompanha a discussão, mas também propõe caminhos.
Em Madureira, na Zona Norte, jovens desenvolveram um projeto de criação de brinquedos educativos e inclusivos feitos com materiais recicláveis, voltados para crianças neurodivergentes. O “Ecotoys” nasce da combinação entre duas necessidades do território: a falta de acesso a brinquedos adaptados e o descarte inadequado de resíduos, unindo inclusão, educação e sustentabilidade. Com atuação coletiva, o projeto quer ampliar seu impacto por meio de parcerias e financiamento, oferecendo alternativas acessíveis para escolas, famílias e comunidade. Mais do que formar lideranças, o PPJ devolve esperança e autoestima, constrói pertencimento e rompe a ideia antiquada de que sustentabilidade é um tema distante da vida cotidiana.
Ao investir em jovens que mapeiam problemas reais e elaboram soluções que dialogam com a Agenda 2030, o Rio demonstra que a sustentabilidade é um projeto coletivo que se constrói hoje. E ele nasce nas favelas, se fortalece com redes de colaboração e ganha repercussão mundial. Se a COP-30 convidou o mundo a pensar sobre clima e justiça social, os jovens do Pacto pela Juventude mostram que o Rio já está respondendo, com criatividade, coragem e compromisso ambiental. O futuro das cidades passa por eles. E eles já começaram.

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