Manoela Peres: Janeiro Branco: uma página nova para reescrevermos nossa saúde e bem-estar
Oi, gente! O ano começou e, com ele, aquela sensação única de renovação. Janeiro chega sempre como uma folha em branco, pronta para receber novas histórias, novos planos e, principalmente, novas atitudes. Não é coincidência que este mês tenha sido escolhido para sediar a campanha do janeiro branco, um movimento dedicado à construção de uma cultura da saúde mental na humanidade. Mas, para além de falar sobre tratamentos, quero convidar vocês a refletirem sobre o bem-estar de uma forma integral: corpo, mente, propósito e a cidade onde vivemos.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo e um dos líderes em casos de depressão na América Latina. Esses números alarmantes nos mostram um desafio gigantesco que a gestão pública precisa enfrentar. Antigamente, saúde mental era tratada apenas dentro de consultórios fechados ou hospitais psiquiátricos. O desafio que encontrei na vida pública, e que carrego como bandeira, é: como tirar o cuidado de ambientes estigmatizados e levá-lo para a praça, para a praia, para o dia a dia das pessoas? Como transformar a cidade em um agente de cura?
Quando estive à frente da Prefeitura de Saquarema, entendemos que a saúde pública de Saquarema não poderia se limitar a tratar somente de problemas já instalados. Precisávamos trabalhar na prevenção e na promoção da qualidade de vida. Foi com essa visão que fortalecemos programas que conectam saúde física e mental. O Viva Mais Esporte, por exemplo, nunca foi apenas sobre exercícios físicos. Ao incentivar a prática esportiva, estamos estimulando a produção de hormônios do bem-estar, mas, acima de tudo, criando laços de convivência e combatendo a solidão.
Da mesma forma, as Oficinas da Cultura e os novos cursos de capacitação que implementamos serviram como ferramentas poderosas de inclusão social. Aprender algo novo, sentir-se produtivo e parte de um grupo é vital para a autoestima. E não podemos esquecer do lazer: a Praça do Bem Estar e o nosso vibrante Festival de Verão não são apenas eventos turísticos; são momentos de descompressão, de alegria compartilhada e de ocupação dos espaços públicos. Uma cidade que oferece lazer e cultura é uma cidade que cuida da mente de seus cidadãos. Essa é a essência de uma gestão comprometida com o ser humano.
Olhar para fora também nos ensina muito. Tenho acompanhado iniciativas excelentes em outras cidades que reforçam essa necessidade de um atendimento público humanizado. Na cidade de São Paulo, a dimensão do desafio é continental, mas a resposta tem sido estruturada através de uma ampla rede. A capital paulista conta hoje com 102 Centros de Atenção Psicossociais (Caps), além de integrar o cuidado mental nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). O diferencial lá tem sido a luta contra o estigma. A prefeitura paulistana investe em rodas de conversa, espaços terapêuticos e atividades corporais dentro das UBSs, mostrando que cuidar da mente é tão básico quanto cuidar do corpo. Eles possuem ainda os Centros de Convivência e Cooperativa (Ceccos), alocados em parques, provando que a natureza e a convivência são remédios poderosos.
Outro exemplo inspirador vem de Macaé, aqui no nosso estado. A prefeitura local, através do Núcleo de Saúde Mental, criou grupos terapêuticos abertos que funcionam à noite, atendendo quem trabalha durante o dia. A grande sacada lá é a acessibilidade: o cidadão que chega com uma angústia não precisa esperar numa fila burocrática. Ele é acolhido imediatamente em um grupo conduzido por psicólogos, focado na escuta qualificada. Cerca de 60 pessoas participam ativamente, encontrando ali um porto seguro. Isso é eficiência governamental aplicada ao cuidado humano.
Essas experiências, tanto as que construímos em Saquarema quanto as de São Paulo e Macaé, provam que políticas públicas de saúde mental devem ser transversais. Elas passam pelo turismo que gera emprego e renda, reduzindo a ansiedade financeira das famílias; passam pelo esporte que disciplina e alegra; e passam, claro, por uma rede de saúde preparada e acolhedora.
Neste janeiro branco, convido você a assumir o protagonismo da sua história. A prefeitura e o Estado têm o dever de oferecer os serviços, mas as escolhas diárias são suas. Que tal começar aquele curso que você sempre quis? Ou participar das atividades do verão na sua cidade? Que tal reservar um tempo para cuidar de quem cuida? O ano é uma página em branco. Use a caneta da participação cidadã, do autocuidado e da esperança para escrever um capítulo lindo em 2026.
Você conhece algum projeto que ajude na saúde mental da sua comunidade? Me conte nas redes sociais, que você encontra no meu blog (https://manoelaperes.com.br). Vamos juntos construir um futuro com mais leveza e saúde para todos.
Um beijo e até a próxima coluna!
* Manoela Peres é secretária de Governança e Sustentabilidade de Saquarema, ex-prefeita de Saquarema e Mestre em Administração

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