Vereador Igor MenezesDivulgação
Nesse cenário, ganha força a retomada de uma agenda trabalhista que recoloca o trabalhador no centro do desenvolvimento. A valorização do salário mínimo, o diálogo com sindicatos e a reconstrução de políticas públicas indicam uma inflexão após anos de desestruturação.
Um avanço histórico promovido pelo presidente Lula é justamente recolocar em pauta a extinção da jornada 6X1, com a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, reabrindo um debate estratégico para o país e reafirmando que crescimento econômico e proteção social não são opostos, mas complementares.
Essa agenda se expressa na atualização de pautas históricas,como a extinção da escala 6 x 1.
Ao mesmo tempo, não se pode pensar a vida do trabalhador apenas no que diz respeito à escala de trabalho. Além da escala 6X1, uma outra pauta fundamental é a da tarifa zero. Já adotada em diversas cidades, aponta para a mobilidade como um direito e como dimensão concreta do direito à cidade e do acesso a todos os serviços que ela provê. Não se trata apenas de deslocamento para o trabalho, mas da possibilidade de acessar saúde, educação, cultura, lazer e oportunidades, reduzindo desigualdades e ampliando a participação social no espaço urbano.
Outra dimensão fundamental para a vida dos trabalhadores e trabalhadoras é o direito à água — e estamos diante de um dilema. Mais do que um recurso econômico, a água é condição básica de existência. No Brasil, o novo marco legal do saneamento ampliou a participação privada no setor, estimulando concessões e processos de privatização das distribuidoras. Se, por um lado, há a promessa de ampliação de investimentos, por outro, emergem riscos como aumento de tarifas, priorização de áreas mais rentáveis e fragilização do controle público sobre um recurso essencial.
Garantir o acesso à água exige planejamento público, regulação efetiva e controle social, capazes de equilibrar interesses econômicos e assegurar condições básicas de vida. Trata-se de uma questão que conecta meio ambiente, tecnologia e justiça social.
O papel das organizações coletivas permanece central nesse processo. A atuação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil e de outras entidades sindicais reforça que direitos não são concessões, mas resultado de mobilização e construção coletiva.
Pensar o futuro do trabalho é, portanto, pensar o modelo de desenvolvimento do país. Um projeto que combine crescimento com inclusão exige reconhecer o trabalho digno como eixo estruturante das políticas públicas, reduzindo desigualdades e distribuindo os ganhos de produtividade.
A luta pelo trabalho digno segue sendo central, mas se amplia: envolve também a valorização de dimensões fundamentais da vida, como o direito à dignidade humana, à mobilidade urbana e ao acesso universal à água. É nesse horizonte que o 1º de Maio se projeta — não apenas como memória, mas como agenda de transformação.



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