Marcos Espínola 2025Divulgação

Em ano de eleições surgem diversas pesquisas, gerando dados que merecem nossa atenção. A segurança pública, por exemplo, é apontada como a principal preocupação da população. Ela lidera os rankings nacionais de problemas do país à frente da saúde e da economia. O medo da violência atinge proporções alarmantes, com o avanço da criminalidade. O pior é, mais uma vez, essa área ser utilizada como moeda eleitoral, justamente um setor que não deve ser politizado.
Segundo o relatório “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança”, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha, o medo da violência alterou a rotina de 57% dos brasileiros nos últimos 12 meses, mostrando que a sensação de insegurança atinge mais de 96% dos entrevistados que afirmaram ter medo de ao menos uma situação de violência. Mais de 36% dos brasileiros mudaram seus trajetos habituais e 35,6% deixaram de sair à noite. É a perda do direito constitucional de ir e vir.
Assim, a segurança pública se tornou um dos principais ativos político e moeda eleitoral no país. Candidatos de ambos os espectros políticos utilizam a pauta para angariar votos. Mas, em verdade, vivemos de factoides, com discursos impactantes e sem consistência para médio e longo prazo, visando apenas as urnas.
Há tempos apontamos a necessidade de medidas urgentes, integradas e baseadas na inteligência para frear o avanço das facções criminosas e milícias. Agora, em ano de eleições, o governo federal acaba de lançar um programa de combate ao crime organizado, aportando R$ 11 bilhões e visando atuar junto com os estados. Asfixia financeira das facções; aumentar a segurança dos presídios; aumentar a taxa de esclarecimento dos homicídios; e o combate efetivo ao tráfico de armas, explosivo e munições, evitando que elas cheguem aos criminosos, são os pilares. No papel, sem dúvida, são medidas que podem surtir efeitos, porém, se fossem uma política de estado, na qual sua continuidade fosse garantida, independentemente da mudança de governo.
Nossos governantes precisam entender de uma vez por todas, que segurança pública é coisa séria e o descaso, o despreparo e a politização dessa pasta nos trouxe a essa situação caótica, onde as facções criminosas cresceram por todo o Brasil, dominando territórios e aterrorizando o cidadão de bem. Segurança pública não pode ser moeda eleitoral.
Marcos Espínola é advogado criminalista e especialista em segurança pública