Ana LacativaDivulgação

O debate sobre as apostas esportivas ganhou intensidade nos últimos meses. Além das medidas de combate à lavagem de dinheiro, o Senado discute projetos para restringir a publicidade do setor, em uma abordagem semelhante à adotada para produtos como o tabaco. Também foram reforçadas as regras para impedir o uso de crédito e benefícios sociais nas apostas, enquanto a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda consolidou mecanismos de autoexclusão para pessoas com problemas relacionados ao jogo.

Ao mesmo tempo, estudos e levantamentos têm apontado os efeitos do endividamento associado às apostas sobre a renda das famílias e até mesmo sobre os planos educacionais de parte dos jovens brasileiros. Reportagens recentes mostram como a expansão do setor vem sendo acompanhada por preocupações legítimas em relação ao consumo excessivo e aos impactos sociais.

O fato é que as apostas esportivas fazem parte da realidade brasileira e dificilmente deixarão de existir. Há apostadores e continuará havendo. Por isso, mais importante do que ignorar o fenômeno é entender como ele funciona, reconhecer seus riscos e aprender a jogar com responsabilidade.

Desde 2024, o mercado de apostas de quota fixa é regulamentado no Brasil. Isso significa que as operadoras de apostas, conhecidas como bets, podem obter licença para funcionar legalmente no país.

As apostas de quota fixa são aquelas em que o jogador sabe previamente quanto poderá ganhar caso o resultado previsto aconteça. É como uma combinação feita antes do jogo começar: se determinado resultado ocorrer, o valor do prêmio já está definido.

Mas como identificar se uma operadora é legal?
A forma mais simples é verificar se o endereço do site termina em ".bet.br". Esse domínio é exclusivo das empresas autorizadas pelo governo federal e aptas a operar em todo o território nacional.
Além disso, as bets licenciadas são obrigadas a cumprir uma série de regras voltadas à proteção do consumidor. Entre elas estão a adoção de mecanismos de combate à lavagem de dinheiro, o uso exclusivo do Pix como meio de pagamento, a utilização de instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central, a implementação de sistemas de biometria para evitar fraudes e impedir o acesso de menores de idade, além da observância das normas de proteção de dados pessoais e do recolhimento de impostos, que retornam à sociedade por meio de programas públicos.

As operadoras ilegais, por outro lado, não oferecem essas garantias. Não há segurança de que os valores depositados estarão protegidos e nem mesmo de que eventuais prêmios serão pagos.
Atualmente, o Brasil conta com 185 operadoras de apostas de quota fixa autorizadas. Em um cenário em que as discussões sobre restrições, publicidade e endividamento se tornam cada vez mais frequentes, a informação surge como um dos principais instrumentos de proteção ao consumidor.

Apostar não deve ser encarado como forma de renda ou solução financeira. Trata-se de uma atividade de entretenimento que exige limites, consciência e responsabilidade. E, para quem decide participar desse mercado, escolher plataformas legalizadas é o primeiro passo para reduzir riscos e evitar golpes.
Ana Lacativa é advogada e cofundadora da plataforma Olho na BET