Manoela Peres - o legado de Saquarema para o esporte e a economia Divulgação
Manoela Peres- Do woodstock do surfe à vitrine mundial: o legado de Saquarema para o esporte e a economia
Oi, gente! Quem me acompanha sabe o quanto sou apaixonada pela nossa história e pelas nossas conquistas. Há quase cinco décadas, no icônico verão de 1976, nossa amada praia de Itaúna foi o palco do histórico festival "Som, Sol & Surf", organizado por Nelson Motta. Aquele evento, que reuniu lendas como Rita Lee e Raul Seixas, atraiu mais de 40 mil jovens — um público que equivalia a quatro vezes a população de Saquarema daquela época. Ali nascia o mito da "Capital Nacional do Surfe". Contudo, transformar essa vocação cultural em um motor real de desenvolvimento sustentável, que gerasse emprego e renda o ano inteiro, foi um dos grandes desafios que assumi na vida pública.
Quando iniciamos a nossa gestão Saquarema, o principal obstáculo era a sazonalidade e a falta de infraestrutura para receber competições de grande porte. Um campeonato internacional não pode ser apenas um evento que começa e termina em uma semana; ele precisa deixar um legado contínuo para o comércio, a hotelaria e os moradores. O desafio consistia em aplicar uma estratégia pública de longo prazo para profissionalizar nossa capacidade turística e garantir que o município se consolidasse na elite do esporte mundial.
Vencemos esse desafio com muito planejamento e eficiência governamental. Ao longo do meu mandato em Saquarema, estruturamos a cidade para que a parceria com a World Surf League (WSL) florescesse. Implementamos ações integradas ligando o turismo ao desenvolvimento econômico.
O resultado dessa gestão municipal Saquarema foi extremamente positivo: segundo dados oficiais da consultoria EY, divulgados pelo jornal O DIA, a etapa da WSL de 2025 movimentou impressionantes R$ 179 milhões na economia local e gerou um PIB de R$ 177 milhões para a região — um crescimento histórico de 142% no impacto econômico entre 2022 e 2025. Isso consolidou Saquarema como o maior evento de surfe do mundo pelo quarto ano consecutivo. Expandimos o calendário criando eventos paralelos, como festivais de música na Arena Itaúna, garantindo que o turista permaneça mais tempo e movimente nossos hotéis e restaurantes. Essa é a verdadeira face de uma gestão de sucesso: usar o potencial natural da cidade para promover transformações reais.
Essa visão de impulsionar o desenvolvimento municipal através de grandes eventos esportivos e culturais não é exclusiva nossa. Outras cidades brasileiras também compreenderam essa dinâmica e alcançaram excelentes resultados por meio de políticas públicas bem direcionadas. É o caso de Itajaí (SC), que se transformou em uma referência internacional ao sediar etapas da The Ocean Race, a maior regata de volta ao mundo. A cidade estruturou sua economia em torno do turismo náutico, atraindo investimentos e gerando empregos. Da mesma forma, o Rio de Janeiro tem utilizado grandes festivais e conferências globais para injetar bilhões de reais na economia do estado, provando que o turismo de eventos, quando planejado, é uma ferramenta poderosa contra a sazonalidade.
Olhar para trás e ver que o antigo sonho de 1976 se transformou em uma potência econômica que orgulha o Brasil me enche de certeza de que estamos no caminho certo. O surfe é nossa identidade, mas o cuidado com as pessoas e o crescimento econômico são o nosso compromisso diário. É com essa mesma energia e dedicação que pretendo continuar trabalhando, levando a experiência de quem sabe realizar para expandir essas oportunidades por todo o nosso estado.
Você tem alguma história marcante ou projeto na sua cidade envolvendo o esporte e a cultura? Compartilhe comigo pelas minhas redes sociais, que você encontra no meu blog (https://manoelaperes.com.br). Vou adorar conhecer! Beijo e até a próxima coluna!
Manoela Peres é ex-prefeita e ex-Secretária de Governança e Sustentabilidade de Saquarema



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