General PazuelloDivulgação
A terra parou de tremer, mas os tremores secundários da burocracia, da logística colapsada e da apatia global continuam a devastar o povo venezuelano. Os números oficiais traduzem apenas uma fração do drama vivido nas ruas de La Guaira, Carabobo, Aragua e na capital, Caracas.
Mais de 5.300 mortos e cerca de 16.700 feridos confirmados!
Dezenas de milhares de desaparecidos, com estimativas de iniciativas independentes indicando que a busca continua por mais de 29 mil pessoas. Mais de 23 mil desabrigados vivendo em acampamentos temporários improvisados, sem infraestrutura básica.
Prejuízos estimados em US$ 19,6 bilhões pelo Banco Mundial.
A tragédia venezuelana expõe a combinação perversa entre falhas internas de infraestrutura e a frieza das dinâmicas geopolíticas.
Estradas divididas ao meio por fendas, pontes destruídas e o Aeroporto Internacional de Maiquetía operando de forma limitada comprometeram as rotas de suprimento. A distribuição de água potável, remédios e alimentos esbarra na falta de combustível e no sucateamento da frota de transporte.
Toneladas de doações continuam retidas em pontos de triagem pela escassez de veículos aptos a trafegar por terrenos instáveis ou afetados por deslizamentos.
A polarização política histórica em torno da Venezuela e a saturação de crises simultâneas no mapa global criaram uma barreira invisível.
A ajuda prometida chega em conta-gotas, enquanto milhares de famílias dormem sob lonas plásticas expostas ao rigor do clima. "O silêncio do mundo dói tanto quanto o chão que se abriu sob nossos pés", afirmou um voluntário em acampamento em La Guaira.
A reconstrução da Venezuela não será uma questão de meses, mas de décadas. Para que o país pare de sangrar, três frentes urgentes precisam ser priorizadas:
Desobstrução de corredores humanitários: criação de rotas logísticas prioritárias com apoio técnico internacional para distribuição rápida de suprimentos às zonas isoladas.
Financiamento humanitário despolitizado: aceleração dos fundos de reconstrução prometidos por organismos internacionais, garantindo que cheguem diretamente à infraestrutura civil crítica.
Apoio psicológico e reagrupamento familiar: acompanhamento contínuo para milhares de sobreviventes que enfrentam o luto de ter entes queridos ainda soterrados ou desaparecidos.
Tragédias naturais não escolhem fronteiras ou regimes políticos.
Um mês após o abalo, a resposta ao sofrimento da população venezuelana medirá não apenas a capacidade logística do planeta, mas o limite da empatia humana.
* General Pazuello é general do Exército e deputado federal (PL-RJ)

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