Por Dario Palhares
Não faltam opções aos poupadores que pretendem formar um pé-de-meia para a terceira idade. As seguradoras locais oferecem mais de 900 planos Gerador de Benefício Livre (PGBL) e Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) em um cardápio concentrado em cinco modelos básicos de carteira: multimercado e renda fixa, indicados para os mais conservadores, e fundos com aplicações de até 15%, 30% e 49% em renda variável, voltados aos mais arrojados. No período de janeiro a setembro deste ano, segundo levantamento realizado pelas consultorias NetQuant e Towers Watson, os dois primeiros alcançaram as maiores rentabilidades médias no segmento — 7,17% e 6,92%, respectivamente —, mas os investidores devem colocar na balança, antes de se decidirem por estes ou aqueles, outro fator que pode comprometer seus ganhos futuros: a conta apresentada mensalmente pelos administradores dos recursos. “As taxas de administração são as grandes vilãs dessa modalidade de poupança”, alerta Miguel Leôncio Pereira, professor de Previdência Complementar da Faculdade Fipecafi.
A boa notícia é que as performances dos fundos de previdência mais em conta bateram, com boa folga, os indicadores dos mais caros nos nove primeiros meses do ano. De acordo com a pesquisa já citada, as carteiras multimercado e de renda fixa com “pedágios” de até 1,5% sobre o patrimônio líquido proporcionaram, na média, rentabilidades de 7,60% e 7,20%. Tais índices superaram em 1,55 e 3,53 pontos os ganhos oferecidos por fundos que cobram tarifas superiores a 3%. “O ideal é que as taxas de administração não sejam superiores a 1%. Menos de 10% dos fundos previdenciários operam nesse patamar, mas vale a pena pesquisar”, destaca o acadêmico.
As vantagens tributárias oferecidas pelos planos PGBL e VGBL tornam a dupla imprescindível para a formação de poupança de longo prazo. Afinal, a primeira opção permite a dedução de até 12% da renda tributável, para quem contribui com a previdência oficial e utiliza a declaração completa do Imposto de Renda (IR), e a segunda sofre incidência do IR exclusivamente sobre os rendimentos, para aqueles que optam pela declaração simplificada, são isentos ou não realizam desembolsos para o INSS. Mesmo assim, o professor da Fipecafi acredita que outras aplicações também devem ser consideradas. É o caso das Notas Financeiras do Tesouro Nacional (NTNs) das séries B e Principal, atreladas ao IPCA. “São opções interessantes para quem não tem pressa para resgatar suas aplicações. Além de boa rentabilidade, esses títulos oferecem maior segurança, garantem o pagamento semestral de rendimentos e podem ser adquiridos por pessoas físicas diretamente do Tesouro Nacional, sem intermediários”, assinala Pereira.
AS DIFERENÇAS
? Plano PGBL permite a dedução de até 12% da renda tributável, para quem contribui com a previdência oficial e utiliza a declaração completa do Imposto de Renda (IR).
? Plano VGBL sofre incidência do IR exclusivamente sobre os rendimentos, para aqueles que optam pela declaração simplificada, são isentos ou não realizam desembolsos para o INSS.
‘Nossos clientes são poupadores de longo prazo ao pé da letra’
Muitos brasileiros encaram os planos PGBL e VGBL não como instrumentos para a formação de poupança de longo prazo, e sim como opções convencionais de investimento. Tal distorção, diga-se, é fruto da própria regulamentação desses planos, já que o resgate total de recursos pode ser efetuado, em muitos casos, apenas 60 dias após as aplicações. “Não é à toa, portanto, que as vendas sofrem do mesmo vício. A maioria das instituições não conscientiza o público sobre a importância e o verdadeiro papel da previdência complementar”, analisa Evandro Augusto Raber, diretor geral da Luterprev.
Criada em 1993, a partir de caixas previdenciárias mantidas pela comunidade luterana do sul do País, a empresa é um ponto fora da curva no mercado. Ao contrário da concorrência, que atua em todas as frentes do setor financeiro, dedica-se exclusivamente a planos previdenciários individuais e coletivos. Seus ativos, que somam R$ 110 milhões, estão quase que integralmente (98%) aplicados em Notas do Tesouro Nacional (NTNs) com vencimentos até 2050. Os títulos entram em carteira e lá ficam até o resgate. Conservadora ao extremo, a estratégia é garantida pelo baixo índice de resgates mensais — inferior a 3% do volume total, ante uma média do segmento próxima a 10%, em 2014. “Nossos clientes são poupadores de longo prazo ao pé da letra”, assinala Raber, que destaca ainda a boa performance de seus produtos. “O Plano de Remuneração Garantida e Performance, o PRGP, rendeu 12,99% entre janeiro e setembro. Alcançou, dessa forma, o segundo posto no ranking elaborado pela NetQuant e a Towers Watson.”
A Brasilprev, ligada ao Banco do Brasil, também vem colhendo números interessantes com fundos previdenciários de longo alcance. Seus principais destaques nessa seara são os Ciclos de Vida 2020, 2030, 2040, que proporcionaram ganhos líquidos de 8,85%, 7,75% e 7,16% até o terceiro trimestre. Como as nomenclaturas sugerem, os três são voltados para quem quer resgatar os recursos daqui a seis, 16 e 26 anos. Inspirada em modelos norte-americanos e chilenos, a proposta foi apresentada ao segmento de alta renda em 2007 e já no ano seguinte chegava ao varejo. “A composição dessas carteiras muda com o passar do tempo: a renda variável, que tem grande peso nos primeiros anos, vai progressivamente cedendo espaço para a renda fixa à medida que o ciclo se aproxima do fim”, explica o superintendente de produtos Sandro Bonfim. “Ou seja, a ideia é ousar mais, de início, em busca de maior retorno, e depois adotar uma postura conservadora.”