Jefferson Linave, atual secretário de desenvolvimento de Queimados, foi morto após abordagem da PM na PenhaReprodução de Internet
O DIA teve acesso ao documento com os depoimentos e detalhes dados pelos envolvidos e pela viúva, Cintia Belchior. Os investigadores já sabem que Jefferson passou a tarde em um quiosque na Barra da Tijuca, onde segundo a esposa, ele tomou bebidas alcoólicas antes de pegar seu carro, um BYD branco. Na hora de ir embora, em direção à Baixada Fluminense, ele seguiu pela Avenida Ayrton Senna e depois pela Linha Amarela.
De acordo com depoimentos dos policiais militares, neste mesmo momento, foi recebida uma denúncia de um veículo com as mesmas características, trafegando em alta velocidade, com uma das rodas em chamas. Na altura do trevo de entroncamento com a Avenida Brasil, o veículo acessou a pista lateral da Avenida Brasil, sentido Zona Oeste, provavelmente, seguindo provavelmente em direção à Rodovia Presidente Dutra.
Abordagens na Avenida Brasil
Na altura dos antigos quarteis de Exército e Aeronáutica – hoje desativados – em Bonsucesso, houve a primeira abordagem policial. De acordo com os agentes, houve pedidos de parada do veículo, que teria seguido adiante. Os policiais disseram ter ouvido tiros e dispararam em direção ao veículo.
Esse momento foi gravado em vídeo por outros motoristas, que se refugiaram em um recuo na entrada de uma das antigas unidades militares. Em um trecho do vídeo é possível ouvir uma pessoa dizendo que os policiais “largaram o aço”, se referindo aos tiros.
Ainda nas imagens, é possível ver que o veículo, mesmo atingido por tiros de fuzil seguiu em frente, ainda pela pista lateral.
Morte na Penha
A perseguição seguiu pela via e, na altura da Penha, em frente ao complexo de unidades militares da Marinha do Brasil, houve nova abordagem e o veículo rodou na pista e bateu na mureta de separação da pista central.
Novamente, segundo o depoimento dos policiais, uma guarnição do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM) se juntou à perseguição e um dos integrantes relatou ter ouvido disparos de arma de fogo, e disparou sete tiros de fuzil calibre 7,62 em direção ao carro, que parou em definitivo.
Os policiais se aproximaram do veículo e quebraram um dos vidros, quando constataram que Jefferson havia sido atingido pelos tiros.
Policiais afastados, mas sem prisão
Mais tarde, o governador em exercício do estado do Rio, desembargador Ricardo Couto, determinou que todos os envolvidos fossem afastados do caso até a conclusão do caso. Ao todo, seis policiais estiveram envolvidos na ocorrência, dos quais quatro assumiram ter feito disparos.
Sepultamento em Nova Iguaçu
O corpo de Jefferson foi sepultado na tarde de ontem no Cemitério Municipal de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Amigos se despediram de forma emocionada e pediram rigor na apuração da abordagem policial que resultou na morte.
O prefeito Glauco Kaizer lamentou o ocorrido e disse ter falado com o governador Ricardo Couto para garantir o rigor das investigações. “Era uma das pessoas mais tranquilas que conheci na vida”, lamentou, em entrevista à TV Globo.

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