Rio - O desenho do Homem-Aranha ao lado do Zé Gotinha enfeita o isopor onde ficam armazenadas as vacinas, e mostra que a mais recente remessa recebida pelo Rio tem um destino especial. Começou nesta segunda-feira (17) a vacinação infantil na cidade. Super-heróis dos cinemas e da Ciência estão juntos agora contra o vírus vilão, com o apoio da criançada. A primeira vacinada na cidade do Rio foi a menina Marion Timóteo, de 11 anos, aluna da rede municipal do Rio e moradora do Morro da Providência, na Zona Central do Rio. fotogaleria Marion é atleta de jiu-jitsu e fez questão de carregar a extensa coleção de medalhas para a vacinação: a pequena é campeã Mundial, Pan-Americana e vice-campeã brasileira na sua idade e categoria. Com um currículo desses, não teve medo de encarar a vacina. \"Eu estava muito nervosa, mas eu tomei e não dói. É só uma picadinha\", disse ela, que ainda ganhou um livro de presente. Marcela Zacarias, 11, aluna do quinto ano, e Ana Beatriz Ribeiro, 11, estudante do sexto ano e atleta de futsal, também estiveram entre as meninas vacinadas no Museu do Amanhã. Todas elas são alunas da Escola Municipal Francisco Benjamin Galloti, no Morro da Providência, no Centro.\"A vacina não doeu e também não fiquei nervosa. Só um pouquinho, mas por causa das câmeras\", disse Marcela, que ganhou o livro infantil \"O Retorno de Emília\". Ana Beatriz recebeu \"Operação Resgate em Bagdá\". Todas as crianças que se vacinarem em escolas municipais receberão livros.\"A coordenadoria da Educação escolheu nossa escola para representar esse dia e a gente fica super feliz. Estamos felizes de representar e vacinar, sim. Somos um país de cultura de vacinação\", celebrou a diretora da escola municipal, Maria Rosa Mendes. Neste primeiro dia, meninas de 11 anos são vacinadas. Na terça, meninos de 11, e na quarta haverá repescagem para as crianças de 11 anos. O calendário segue em ordem decrescente, e muda de idade a cada três dias. A expectativa é que a campanha vá até o dia 9 de fevereiro, com crianças de 5 anos.A vacina pediátrica da Pfizer tem uma dosagem menor do que a dos adultos. As primeiras doses chegaram na semana passada, e a continuidade do calendário sempre vai depender da chegada de novas remessas enviadas pelo Ministério da Saúde. Ao todo, há 560 mil crianças aptas para vacinar na cidade do Rio. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, reforçou o pedido para que os pais não acreditem em \"teoria fantasiosa em rede social\", e levem seus filhos à vacinação. \"Acreditem na ciência, as pessoas estão deixando de morrer por causa da vacina. Então não brinquem com a vida dos seus filhos. Tenho dois, o Bernardo e a Isabela, e quando tive a chance de vacinar, vacinei correndo. Era a maior angústia que eu tinha\", afirmou Paes. \"A gente faz com muito critério, com muita ciência, com muita responsabilidade. Não acredite em teoria fantasiosa em rede social, essas besteiras que a gente ouve por aí. Vamos vacinar nossa criançada e salvar o futuro dessa cidade\", completou. \"A secretaria está bem acostumada a vacinar, e a maior parte das crianças também já foi vacinada em alguma unidade de saúde da cidade. As pessoas podem confiar, os postos estão preparados, os funcionários foram treinados para a aplicação dessa vacina\", ressaltou o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz. A vacinação acontece nos 230 centros municipais de saúde e clínicas da família, além de algumas escolas municipais. São elas: CIEP Henfil (Caju); EM Dr. Cícero Pena (Copacabana); EM Prudente de Morais (Tijuca); EM Anibal Freire (Olaria); Ciep Patrice Lumumbe (Del Castilho); EM Paraíba (Parque Anchieta); CIEP Margaret Mee (Recreio dos Bandeirantes); EM Embaixador Dias Carneiro (Tanque); EM Paulo Maranhão(Realengo, com início terça, dia 18); CIEP Raymundo Ottoni de Castro Maya (Campo Grande); CIEP Papa João XIII (Santa Cruz). Crianças com deficiência e comorbidade podem se vacinar a qualquer dia A pequena Clara de Melo Andrade, de 11 anos, acordou às cinco da manhã de tanta ansiedade nesta segunda-feira (17). Não era para menos. Ela foi a segunda criança vacinada contra a covid na cidade do Rio, num universo de 560 mil de 5 a 11 anos que a Secretaria Municupal de Saúde pretende imunizar. Clara é portadora de microcefalia, e assim como ela, as crianças com comorbidades e deficiências não precisam esperar o dia da idade correta. Basta ir aos postos apresentar um laudo. \"Foi uma espera grande essa vacina. Por ela ter imunidade baixa, sistema nervoso alterado, ficamos mais um ano sem sair de casa, praticamente\", conta a mãe, Viviane de Melo, aliviada com a vacinação da pequena. Clara aproveitou a visita ao Museu do Amanhã para reencontrar as colegas da Escola Municipal Francisco Benjamin Galloti, no Morro da Providência. Um grupo de 12 meninas de 11 anos foi convidado para dar o pontapé na vacinação infantil. \"Doeu só um pouquinho\", garante Clara, orgulhosa com o comprovante de vacinação nas mãos. Agora, o tratamento presencial da microcefalia poderá ser retomado. \"Ela não estava conseguindo fazer o acompanhamento médico, estava com muito medo de ir para a rua. Isso piorou o quadro do sistema nervoso dela\", diz Viviane. Depois de Clara, foi a vez de Davi Ribeiro Azeredo, de 7 anos. O pequeno é portador de uma lesão motora e recebeu a vacina sob aplausos do prefeito Eduardo Paes e o carinho dos pais. \"Estávamos isolados durante todo esse tempo. Fiquei ansiosa pela chegada desse dia\", contou Tamara Azeredo, mãe do menino.Os postos de saúde estão autorizados a aplicar a vacina em crianças com comorbidades e deficiências de qualquer idade, independentemente do calendário. Para isso, basta que os responsáveis apresentem um laudo médico que ateste a condição.