O pai da vítima, Marcos Vinícius Lino de Lima, e a madrasta, Patrícia André Ribeiro, são acusados pela morte de Quênia GabrielaReprodução

Rio - O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) ouviu durante uma audiência, na tarde desta segunda-feira (03), sete testemunhas sobre o caso da menina Quênia Gabriela Oliveira Matos de Lima, de 2 anos, morta na Zona Oeste, em março deste ano. De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), ela teria sido torturada e morta pelo pai, Marcos Vinícius Lino de Lima, e pela madrasta, Patrícia André Ribeiro. De acordo com o laudo médico, Quênia teve morte por ação contundente, devido a politraumatismo torácico e abdominal.
A sessão iniciou às 16h30 na 4ª Vara Criminal da Capital e o juiz responsável pelo caso foi Gustavo Gomes Kalil. O magistrado marcou para o dia 7 de agosto, às 17h30, a continuação da audiência, quando serão ouvidas mais cinco testemunhas requisitadas pelo MPRJ.
Na audiência desta segunda, prestaram depoimentos a médica Ana Claudia Regert, que atendeu a Quênia na Clínica da Família Hans Jurgen Fernando Dohmann, em Guaratiba; a inspetora da Polícia Civil Deborah Souza Caetano; os vizinhos do casal Pablo Ferreira Pereira e Robson Yuri Nabuco de Araujo; e a professora da creche onde Quênia estudava, Amanda Barbosa de Macedo. Todas as testemunhas foram requisitadas pelo MPRJ.

Por solicitação da defesa de Marcos Vinícius, também prestaram depoimentos, Felipe Cardoso de Oliveira Mendonça e Gabriela da Silva Rosa, ambos amigos do acusado. 
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou o casal por homicídio triplamente qualificado, com emprego de tortura, dificultando a defesa da vítima já que o crime foi cometido contra uma menina com menos de 14 anos. Ambos estão presos na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio.

Segundo o laudo da perícia, Quênia apresentava 59 lesões pelo corpo, entre já cicatrizadas e recentes. Eram 17 no abdômen, 16 no dorso, 12 no rosto, sete nas pernas e seis nos braços. A denúncia foi feita por uma médica que atendeu a criança em uma unidade de saúde. Na delegacia, ela relatou que a garota foi levada pelo pai e apresentava "sinais severos de violência", como queimaduras no umbigo e fissuras no ânus.
Durante o processo, a defesa de Marcos Vinícius Lino, pai de Quênia Gabriela, chegou a entrar com um pedido de habeas corpus, após entender que a autora da morte da criança foi a madrasta Patrícia André Ribeiro. No pedido, o advogado Jairo Mota alegou que no dia da tragédia o pai da criança estava no trabalho, quando recebeu uma ligação de Patrícia explicando o acontecimento. No entanto, o pedido foi negado pela Justiça.