João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, foi morto com um tiro de fuzil dentro de casa, no Complexo do Salgueiro, em São GonçaloReprodução/Redes sociais
A denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ) foi apresentada em dezembro de 2021. De acordo com a promotoria, o tiro que matou João Pedro partiu da arma de um dos agentes. No processo, os policiais civis Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister, lotadores na Core à época, são réus por homicídio duplamente qualificado e por fraude processual. Na ocasião, enquanto esperava pela chegada da equipe de peritos, o trio alterou o local do crime, com a intenção de criar vestígios de suposto confronto com bandidos.
Ainda de acordo com o TJRJ, a defesa dos réus conseguiu três habeas corpus que limitaram o número de testemunhas em 16. Os policiais, se forem condenados, podem pegar penas de até 34 anos de prisão.
O advogado diz ainda que não é plausível policiais experientes saírem em operação para matar inocentes. "Foi uma fatalidade", completou ele.
Na ocasião, seu corpo chegou a ficar desaparecido, sendo encontrado horas depois pela família no Instituto Médico Legal (IML). Investigações apontaram ainda que a casa do tio do jovem, onde ele estava quando foi atingido, ficou com mais de 70 marcas de tiros.
Justiça determina indenização
O Estado do Rio de Janeiro foi condenado, em junho de 2022, a pagar uma pensão indenizatória à família do adolescente. A Justiça determinou que os pais de João Pedro recebam o pagamento no valor de 2/3 do salário mínimo até a data em que João completaria 25 anos. Após este período, o Estado deverá pagar 1/3 do salário mínimo até a data em que o jovem completaria 65 anos.
Na época, o defensor público do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos, Daniel Lozoya, pontuou que o pagamento da indenização é uma vitória, mas a expectativa da instituição é que a investigação esclareça todas as circunstâncias da morte e apure de forma eficaz a conduta dos agentes que participaram da operação.

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